Ligações aproximam Milei do caso LIBRA e aumentam pressão sobre presidente argentino

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A investigação sobre o colapso da memecoin LIBRA ganhou um novo capítulo na Argentina após vir à tona que o presidente Javier Milei trocou telefonemas com Mauricio Novelli, apontado como uma das figuras centrais por trás do projeto, na noite em que promoveu o token em sua conta no X. A informação foi revelada pelo The New York Times e repercutida por veículos locais e internacionais, reforçando a pressão sobre Milei em um caso que já vinha causando desgaste político e judicial.De acordo com a apuração, registros telefônicos analisados na investigação mostram uma sequência de chamadas entre Milei e Novelli antes e depois da publicação que ajudou a impulsionar a LIBRA. O conteúdo das conversas não foi divulgado, mas a descoberta contrasta com a versão sustentada pelo presidente de que não teria participado da estruturação do projeto. Milei nega irregularidades, mas segue como pessoa de interesse em uma investigação federal sobre o episódio.O caso remonta a fevereiro de 2025, quando Milei divulgou a LIBRA nas redes sociais. Após a postagem, o token disparou e chegou a superar US$ 4 bilhões em valor de mercado antes de despencar mais de 90%, deixando prejuízos milionários para investidores. Segundo reportagens publicadas ao longo da apuração, carteiras ligadas ao projeto teriam realizado saques de cerca de US$ 107 milhões antes do colapso, alimentando suspeitas de manipulação e uso de informação privilegiada.As novas evidências se somam a outros elementos já reunidos pela Justiça e pela imprensa argentina. Em março, o site investigativo El Destape informou que um documento encontrado no celular de Novelli mencionava um suposto acordo de US$ 5 milhões relacionado à promoção da LIBRA por Milei. O teor do arquivo não comprova o pagamento, mas aprofundou as suspeitas sobre a existência de uma articulação financeira por trás da divulgação do token.Leia também: Milei ganhou R$ 26 milhões para promover criptomoeda LIBRA, revela documentoO escândalo já havia produzido consequências políticas antes mesmo da revelação sobre os telefonemas. Em novembro de 2025, uma comissão do Congresso argentino concluiu que Milei prestou “colaboração essencial” ao projeto e recomendou que o Parlamento avaliasse sua conduta. O relatório afirmou que o presidente teria usado o peso do cargo para beneficiar um grupo com acesso privilegiado à operação.Ao mesmo tempo, a resposta institucional ao caso tem sido contraditória. Em junho de 2025, o Escritório Anticorrupção da Argentina concluiu que Milei não violou regras de ética pública, sob o argumento de que a postagem em favor da LIBRA foi feita em caráter pessoal, e não como ato oficial de governo. Meses depois, porém, o governo dissolveu uma força-tarefa criada para investigar o escândalo, pouco depois de a Justiça determinar a abertura dos dados bancários do presidente e de sua irmã.Com a revelação dos registros telefônicos, o caso volta a ganhar força em um momento delicado para Milei. Mais do que a promoção de um ativo que colapsou, a questão agora é saber até que ponto o presidente conhecia os bastidores da LIBRA antes de emprestar sua imagem ao projeto. Enquanto essa resposta não vem, a nova leva de evidências reforça a percepção de que o escândalo cripto mais explosivo do governo argentino ainda está longe de terminar.O post Ligações aproximam Milei do caso LIBRA e aumentam pressão sobre presidente argentino apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.