Com o aumento de preços nos combustíveis e a maior incerteza geopolítica a fazerem-se sentir, a aposta em fontes renováveis e soluções assentes em recursos endógenos, como a bioenergia produzida a partir de resíduos e outros subprodutos, afirma-se como um vetor crucial para aumentar a resiliência dos sistemas e a competitividade da economia portuguesa.Neste contexto, a Associação de Bioenergia Avançada (ABA) identifica quatro tipos de resíduos e subprodutos que podem ser utilizados para a produção de bioenergia avançada: 1. Resíduos domésticos Os resíduos urbanos e domésticos, como restos alimentares e óleos alimentares usados, constituem uma matéria-prima valiosa para a produção de bioenergia avançada, tanto líquida como gasosa. A conversão destes resíduos em biometano permite substituir diretamente o consumo de gás natural, enquanto o aproveitamento de óleos alimentares usados para a produção de biodiesel, por exemplo, oferece uma alternativa eficaz e imediata para a mobilidade.Estas soluções contribuem de forma significativa para a redução das emissões de gases com efeito de estufa e para a diminuição da dependência de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, demonstram como a ação individual, através de uma gestão eficaz de resíduos produzidos de forma doméstica, pode ter um impacto positivo na construção de um futuro mais sustentável. 2. Subprodutos agrícolas Os excedentes da atividade agrícola, como restos de colheitas, cascas, palha ou serradura, constituem uma matéria-prima abundante e ainda pouco explorada para a produção de bioenergia avançada. A conversão destes subprodutos em energia permite reduzir as emissões associadas à sua decomposição, enquanto gera uma fonte de rendimento adicional para os produtores.Esta abordagem contribui simultaneamente para a descentralização da produção de energia e para a sustentabilidade do setor energético, garantindo que, em períodos de intempéries, o país tem um modelo mais resiliente de consumo, alinhado com os princípios de economia circular e de transição energética. 3. Resíduos florestaisO que sobra das limpezas das matas e florestas, como ramos, folhas e restos de poda, representa não apenas uma oportunidade energética para a produção de bioenergia avançada, mas também uma ferramenta de gestão de risco e valorização económica do território.Ao serem aproveitados para a produção de biocombustíveis, estes resíduos florestais evitam também acúmulos de biomassa que, em períodos de seca e calor intenso, aumentam significativamente o risco de propagação de incêndios. 4. Excedentes industriais A valorização e incorporação de excedentes industriais na produção de bioenergia avançada, permite fechar ciclos produtivos, promovendo uma economia industrial mais eficiente, resiliente e sustentável. Para além de reduzir o desperdício, este aproveitamento incentiva a inovação e a adoção de tecnologias de conversão energética, criando oportunidades concretas para o desenvolvimento tecnológico e industrial. Ao integrar a circularidade na cadeia de valor, reforça-se a competitividade e transição energética do setor.A articulação entre o setor industrial, a ação individual e as políticas públicas é fundamental para avançar rumo a uma sociedade neutra em carbono. A Associação reforça a importância de promover uma economia mais circular e resiliente, em que a bioenergia avançada contribui de forma concreta para a valorização de resíduos e subprodutos e para uma utilização eficiente dos recursos.«A bioenergia avançada traz benefícios claros para o ambiente, para a economia e para a sociedade. Ao substituir, de forma progressiva, os combustíveis fósseis, afirma-se como uma resposta concreta à volatilidade dos mercados energéticos e à necessidade de reforçar a autonomia energética nacional», afirma Ana Calhôa, Secretária-Geral da Associação de Bioenergia Avançada.O conteúdo Bioenergia: estes são os 4 resíduos que podem reduzir a dependência do fóssil em Portugal aparece primeiro em Revista Líder.