*Por Jessica Valentim | A trajetória do Lynyrd Skynyrd é marcada pela tragédia de 1977, quando um acidente aéreo vitimou seis pessoas, incluindo o vocalista Ronnie Van Zant e os irmãos Steve (guitarra) e Cassie Gaines (backing vocals). Após uma década de hiato, a banda retomou as atividades liderada por Johnny Van Zant nos vocais (irmão de Ronnie), consolidando-se como uma extensão do próprio legado — embora, atualmente, o grupo não conte com nenhum sobrevivente do desastre ou remanescente das formações que gravaram os álbuns da década de 1970. O guitarrista Rickey Medlocke, que fez parte brevemente como baterista e não registrou discos de estúdio, é o único elo com o passado.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxMesmo que o anúncio pré-show no Monsters of Rock 2026, realizado no último sábado (4) em São Paulo, tenha invocado o status de “membros do Rock and Roll Hall of Fame”, nenhum dos músicos presentes integrou a banda no período de sua entrada. É, talvez, o único momento que possa gerar confusão, pois o Skynyrd atual cumpre a função de preservar a obra dos antecessores. E foi essa celebração da marca e do repertório que a banda apresentou em aproximadamente uma hora de show no Allianz Parque.Assim que os acordes de “Panama” (Van Halen) cessaram no som mecânico, o telão deu início a uma retrospectiva histórica que preparou o público para a entrada daquela que é a realeza do southern rock. Foi esta introdução em vídeo que os anunciou como “membros do Rock Hall”. Ela estabelece uma postura de atração principal que, apesar do status de “banda tributo” assumido por Johnny em entrevista ao jornalista Igor Miranda para Rolling Stone Brasil, dominou o palco com autoridade. Acompanham Van Zant e Medlocke os guitarristas Mark Matejka e Damon Johnson, o baterista Michael Cartellone, o pianista e gaitista Peter Keys, o baixista Robbie Harrington e o apoio vocal de Carol Chase e Stacy Michelle. Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Igor Miranda (@igormirandasite)O showO setlist oferecido pelo Lynyrd Skynyrd no Monsters of Rock 2026 dividiu o protagonismo entre o álbum de estreia “Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd” (1973) e o aclamado “Second Helping” (1974), com quatro faixas extraídas de cada um. O roteiro ainda resgatou o emblemático “Street Survivors” (1977), com duas composições, além de passagens pontuais por “Nuthin’ Fancy” (1975), “Gimme Back My Bullets” (1976) e o póstumo “Skynyrd’s First and… Last” (1978). Para fechar o panorama de cinco décadas, a banda resgatou momentos da fase moderna com um trecho de faixa de “Vicious Cycle” (2003) e outra de “God & Guns” (2009).Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxOs primeiros acordes de “Workin’ for MCA” estabeleceram o clima típico do rock do sul dos Estados Unidos, com guitarras harmonizadas e uma sonoridade encorpada. O destaque inicial ficou para Peter Keys: a presença de um pianista autêntico confere a sustentação necessária ao estilo. A atmosfera hipnótica de “That Smell” prendeu a audiência. Após saudar o público, Johnny dedicou a balada blues “I Need You”, com performance carregada de feeling, às mulheres presentes.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxBaixos e altosO set seguiu com “Gimme Back My Bullets” e a enérgica “Saturday Night Special”, que flerta com o vigor de bandas como ZZ Top. Entretanto, o roteiro encontrou algumas “quedas” de energia com as escolhas de “Down South Jukin’” e “The Needle and the Spoon”, destoando do ritmo crescente. Além disso, em certos trechos, a dinâmica de palco assumiu uma estética de “residência em Las Vegas”: instrumentistas competentes, mas um vocalista por vezes estático e uma performance geral excessivamente ensaiada. Johnny, contudo, compensou com carisma e pontuou que, embora fosse a noite do Guns N’ Roses, “aquele era o momento do Skynyrd”. Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Igor Miranda (@igormirandasite)O estádio iluminou-se — graças às lanternas de celulares do público — em “Tuesday’s Gone”, música que ganhou vida nova para gerações recentes após o cover do Metallica em 1998. Nesta, houve uma homenagem a Gary Rossington, membro original que permaneceu no grupo até seu falecimento, em 2023. A sequência final foi de hinos: “Simple Man” gerou comoção generalizada, seguida pela dançante “Gimme Three Steps” e pelo cover de J. J. Cale, “Call Me the Breeze”, com um trecho de “Red White & Blue (Love It Or Leave)”. A inevitável “Sweet Home Alabama”, adornada pela bandeira do estado americano ao fundo no telão, preparou o terreno para o encerramento, mas o ápice emocional ainda estava por vir. Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Igor Miranda (@igormirandasite)O bis com o clássico absoluto “Free Bird” serviu como um “in memoriam” de luxo. O telão mesclou imagens atuais com vídeos de integrantes falecidos, culminando em uma lista com todos os nomes que já partiram. Após o primeiro refrão, uma gravação com áudio e vídeo possibilitou que a plateia ouvisse Ronnie Van Zant cantar enquanto a banda atual o acompanhava ao vivo. O show chegou ao fim com Johnny empunhando uma bandeira que mesclava as cores do Brasil e dos EUA.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxEmbora a frase “thanks for fifty years” (“obrigado por cinquenta anos”) tenha ilustrado o telão, o Skynyrd está apenas em sua terceira visita ao país, depois ter vindo em 2011 e 2023. Johnny chegou a dizer, em algum momento do set, que ele e seus colegas deveriam vir “muito mais vezes”. A julgar pela reação da plateia no Monsters, a avaliação está correta.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxRepertório — Lynyrd Skynyrd no Monsters of Rock 2026Workin’ for MCAWhat’s Your NameThat SmellI Need YouGimme Back My BulletsSaturday Night SpecialDown South Jukin’Still UnbrokenThe Needle and the SpoonTuesday’s GoneSimple ManGimme Three StepsCall Me The Breeze [J. J. Cale]Red White & Blue (Love It Or Leave) — trechoSweet Home AlabamaBis:Free BirdQuer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.O post Lynyrd Skynyrd festeja seu legado e emociona público do Monsters of Rock 2026 apareceu primeiro em Igor Miranda.