Crime organizado diversifica receitas e amplia atuação além do tráfico, diz OEA

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O secretário de Segurança Multidimensional da Organização dos Estados Americanos, Ivan Marques, apontou que o modelo de atuação do crime organizado na América Latina passa por uma transformação estrutural, com redução da dependência do narcotráfico e expansão para uma ampla gama de atividades ilegais. Ele descreve o momento atual vivido pode ser traduzido como um cenário de “convergência criminal” entre diferentes fontes de receita. A apuração é da Folha de S. Paulo.Segundo ele, a cocaína segue relevante, mas deixou de ser o único eixo econômico dessas organizações. O lucro passou a ser distribuído entre atividades como tráfico de armas, exploração sexual, comércio ilegal de fauna, extração clandestina de recursos naturais, extorsão e crimes financeiros, além da integração entre negócios legais e ilegais.Essa mudança alterou também a estrutura dos grupos. Em vez de organizações centralizadas, como os antigos cartéis liderados por figuras como Pablo Escobar, o crime passou a operar em redes descentralizadas, com alianças entre grupos locais e internacionais.Leia tambémCPI do Crime Organizado reúne assinaturas para prorrogar trabalhosRelator cita novas oitivas e apurações sobre caso Master como prioridadeRedes ampliam alcanceA nova dinâmica permite maior capilaridade e redução de riscos operacionais, segundo o secretário, em reportagem apurada pela Folha. Grupos transnacionais articulam cadeias fragmentadas, nas quais produção, logística e distribuição ficam sob responsabilidade de diferentes atores.No Brasil, facções como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho já expandiram sua atuação para fora do país e mantêm operações em ao menos 20 nações, segundo reportagens citadas pela OEA. O faturamento dessas organizações também passou a depender de um portfólio mais amplo de ilícitos.Além da diversificação econômica, há uma migração relevante de crimes tradicionais para o ambiente digital. A OEA identifica crescimento de fraudes, extorsões e ataques cibernéticos, com o Brasil entre os principais alvos globais.Outras ameaças incluem o desvio de explosivos de operações de mineração e o aumento da circulação de armas em regiões como o Caribe, onde a violência tem se intensificado. A organização também monitora riscos relacionados ao uso ilegal de materiais biológicos e radioativos.The post Crime organizado diversifica receitas e amplia atuação além do tráfico, diz OEA appeared first on InfoMoney.