⁠Infantino tem razão? Será que o futebol não existiria em ‘150 países’ sem a FIFA?

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O futebol em 150 países não existiria sem a FIFA.Essa é a visão de Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol mundial, que defendeu essa ideia durante uma palestra no World Sports Summit, em Dubai, no fim de dezembro.Para contextualizar a afirmação, o discurso de Infantino ocorreu semanas após o anúncio dos preços gerais dos ingressos para a Copa do Mundo de 2026, em 11 de dezembro, que gerou forte reação negativa e críticas por conta dos valores. Isso levou a FIFA a lançar, cinco dias depois, uma categoria de entrada para torcedores, oferecendo cerca de mil ingressos por jogo a US$ 60 para fãs das equipes envolvidas em cada partida.Leia tambémTime de Messi, Inter Miami inaugura estádio milionário e consolida projeto na MLSArena de US$ 350 milhões marca nova etapa do clube, apesar de obra ainda incompletaDentro ou fora da seleção, Neymar ainda é marca mais relevante no futebol brasileiroMesmo fora da seleção brasileira, jogador do Santos tem números impressionantes nas redes sociais e obteve sucesso imediato no lançamento do seu canal do YouTubeO presidente da FIFA utilizou o evento em Dubai, sua primeira aparição pública após a repercussão negativa, para explicar por que a geração de receitas para o crescimento do futebol é fundamental.“O que é crucial é que as receitas geradas retornem ao futebol em todo o mundo”, afirmou Infantino. “Sem a FIFA, não haveria futebol em 150 países. Existe futebol porque, e graças a, essas receitas que geramos com a Copa do Mundo e reinvestimos globalmente.”No início de dezembro, um porta-voz da FIFA também declarou que “sem o apoio financeiro da entidade, mais de 50% das associações filiadas não poderiam operar”, ao comentar os preços dos ingressos da Copa.A interpretação de Infantino pode levar à ideia de que o futebol simplesmente não existiria nesses países sem a FIFA. Isso, porém, não corresponde à realidade.Mas quanto desse dinheiro realmente chega às 211 associações filiadas? E por que ele seria tão importante para 150 delas?Por meio do programa de desenvolvimento FIFA Forward, as associações recebem repasses ao longo de ciclos de quatro anos.No ciclo atual, de 2023 a 2026, cada associação pode receber até US$ 8 milhões (cerca de £ 6,1 milhões), embora o uso desse valor seja restrito. O total disponível no período é de US$ 2,25 bilhões. Em 19 de março, a FIFA anunciou que esse montante será ampliado para US$ 2,7 bilhões no ciclo 2027-2030.Desde a criação do FIFA Forward, em 2016, quando Infantino assumiu a presidência, cerca de US$ 2,8 bilhões já foram disponibilizados às federações nos dois primeiros ciclos do programa.Como o dinheiro pode ser usadoOs US$ 8 milhões são divididos entre custos operacionais, projetos específicos, viagens e equipamentos.Cada federação pode receber até US$ 1,25 milhão por ano para despesas operacionais, como aluguel, salários e manutenção.Projetos específicos representam a maior fatia e podem alcançar até US$ 3 milhões por ciclo. Os recursos são destinados a iniciativas que contribuam para o desenvolvimento do futebol no longo prazo, incluindo infraestrutura, competições e seleções nacionais.Associações com receita anual inferior a US$ 4 milhões podem receber ainda US$ 1 milhão adicional por ano para viagens e hospedagem, além de US$ 200 mil ao longo do ciclo para compra de equipamentos.As seis confederações continentais recebem US$ 60 milhões em quatro anos, ou US$ 15 milhões por ano, para promover o futebol em suas regiões.O futebol existiria sem esse dinheiro?Segundo a FIFA, sem esse apoio, muitos países não teriam condições de organizar competições.“É um fato que, sem o suporte da FIFA, não haveria futebol de torneios em 150 países. Eles simplesmente não teriam recursos para desenvolver infraestrutura e apoiar equipes e jogadores”, afirmou um porta-voz da entidade.Ainda assim, especialistas contestam a afirmação de Infantino.Alan Tomlinson, professor emérito da Universidade de Brighton e autor de “What is FIFA For?”, afirmou que o futebol já existia muito antes da criação da entidade.“A FIFA precisa do futebol mais do que o futebol precisa da FIFA”, disse.De fato, partidas internacionais já eram disputadas por seleções como Inglaterra e Escócia desde 1872, décadas antes da fundação da FIFA.Por outro lado, há consenso de que muitas federações dependem desses recursos para financiar categorias como futebol feminino, de base e adaptado.Como e quando os pagamentos são feitosO repasse anual de US$ 1,25 milhão é dividido em duas parcelas: US$ 650 mil em janeiro e até US$ 600 mil em julho, desde que a federação cumpra requisitos como a organização de competições e participação de seleções em partidas ao longo do ano.Os recursos para projetos são liberados conforme aprovação e execução das iniciativas.Fiscalização e transparênciaAs federações que recebem recursos precisam apresentar auditorias anuais independentes. Caso haja irregularidades, a FIFA pode suspender ou bloquear repasses.Ainda assim, relatórios não são divulgados publicamente, o que gera críticas sobre falta de transparência.Exemplos de uso dos recursosNos Estados Unidos, a federação utilizou US$ 3 milhões do programa para incentivar a participação no futebol de base.Já nas Comores, parte do dinheiro foi destinada à construção de infraestrutura, como centros técnicos e estádios.Na Inglaterra, os recursos foram aplicados em projetos de base e no desenvolvimento do futebol feminino.Casos de irregularidadesEm maio de 2024, dirigentes da federação de Bangladesh foram sancionados por uso indevido de recursos, incluindo apresentação de documentos falsificados.Outros casos envolveram federações do Panamá, Venezuela, Guiné Equatorial e Maldivas.ConclusãoDe modo geral, os recursos da FIFA contribuem para o desenvolvimento do futebol global.Embora seja exagero afirmar que o esporte não existiria sem a entidade em 150 países, há argumentos de que o futebol organizado, especialmente em nível internacional, não teria a mesma estrutura sem esse financiamento.The post ⁠Infantino tem razão? 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