Amazon, Microsoft e Google sofrem pressão sobre uso de água e energia

Wait 5 sec.

Amazon, Microsoft e Google abandonaram recentemente a construção de data centers multibilionários devido à oposição de comunidades vizinhas aos projetos e agora estão sofrendo pressão dos acionistas sobre o impacto ambiental de empreendimentos.Mais de uma dúzia de investidores estão aumentando a pressão sobre as empresas antes das assembleias anuais de acionistas deste ano, buscando mais dados sobre o uso da água e os esforços de conservação dos gigantes da tecnologia, de acordo com entrevistas à Reuters.A Trillium Asset Management, uma empresa sediada em Boston com mais de US$ 4 bilhões em ativos sob gestão, apresentou uma resolução à Alphabet em dezembro, buscando clareza sobre como a empresa cumprirá metas climáticas existentes dadas as crescentes necessidades de energia das centrais de processamento de dados, apontou Andrea Ranger, diretora de interesses dos acionistas. Leia Mais Governo divulga ações para conter preços de combustíveis e gás de cozinha Em meio à guerra, CBIC pede reajuste mensal dos contratos de infraestrutura Ainda não é momento para expansão de lojas, diz CEO da Americanas Em 2020, a Alphabet se comprometeu a reduzir pela metade emissões de gases causadores de efeito estufa e a usar fontes de energia sem carbono até 2030. No entanto, a Trillium disse que, ao invés disso, as emissões aumentaram 51%, deixando os investidores “no escuro” sobre como a empresa planeja cumprir as metas.Uma resolução semelhante da Trillium no ano passado obteve o apoio de quase um quarto dos acionistas independentes.A defensora dos acionistas da Green Century Capital Management, Giovanna Eichner, por sua vez, afirmou que está em discussões com a Nvidia sobre a apresentação de uma resolução “para garantir que os ganhos de curto prazo da inteligência artificial não venham à custa de riscos climáticos e financeiros de longo prazo”.Uso da águaOs acionistas querem mais dados sobre o uso de água pelas empresas. Os data centers norte-americanos usaram quase 1 trilhão de litros de água em 2025, de acordo com dados da empresa de pesquisa de mercado Mordor Intelligence, o que equivale aproximadamente às demandas anuais da cidade de Nova York.Embora Meta, Google, Amazon e Microsoft tenham começado a usar resfriamento de circuito fechado em data centers, o que exige muito menos água, os dados sobre esse uso variam.O relatório ambiental de 2025 da Meta mostra uso de água para os locais que a empresa possui, mas não para os que ela alugou ou que estavam em construção. O uso total aumentou 51%, de 3.726 megalitros em 2020 para 5.637 megalitros em 2024, água suficiente para abastecer mais de 13.000 residências por um ano.O relatório ambiental de 2025 do Google apresenta dados sobre os sites que possui e aluga, mas não sobre os operados por terceiros. Amazon e Microsoft informaram o uso total de água, mas nenhuma delas o dividiu por local nos relatórios de sustentabilidade de 2025.Josh Weissman, diretor de fornecimento de capacidade de infraestrutura da Amazon, compartilhou que a empresa está “divulgando cada vez mais dados de consumo de água específicos dos locais onde operam”. Um porta-voz da Amazon acrescentou que a empresa está comprometida em ser uma “boa vizinha” e está investindo em esforços de eficiência, colocando nova energia online e reduzindo uso de água.Os dados em nível local são cruciais, pois ajudam os investidores a avaliarem melhor os riscos operacionais e o desempenho da empresa em gerenciá-los, apontaram investidores, acrescentando que também querem saber mais sobre os esforços para reabastecer os suprimentos de água.Dados locais solicitados“Não os vimos divulgando o suficiente sobre consumo de água e o impacto na comunidade local”, declarou Jason Qi, analista líder de tecnologia da Calvert Research and Management.Um porta-voz da Microsoft disse que a sustentabilidade ambiental é “um valor fundamental” e que a empresa está “enfrentando proativamente os desafios da sustentabilidade e acelerando as soluções para um impacto de longo prazo”.Um porta-voz do Google se recusou a comentar e a Meta não retornou um pedido de comentário.Dan Diorio, vice-presidente da Data Center Coalition, um grupo de lobby cujos membros incluem as quatro grandes empresas de tecnologia, citou que melhorar o envolvimento da comunidade se tornou uma das principais prioridades no ano passado.“É fundamental que sejamos francos com eles em relação ao uso de energia e água, para que os moradores possam entender que esse projeto não vai estressar os recursos… e vai protegê-los”, concluiu.