Nesta quinta-feira (26), o STF (Supremo Tribunal Federal) deu uma freada de arrumação nas investigações de escândalos levadas adiante por comissões parlamentares de inquérito. O pretexto era derrubar uma liminar de um dos ministros, André Mendonça, que permitia a prorrogação dos trabalhos da CPMI do escândalo do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Ela foi derrubada por folgada maioria de oito votos a dois, em um festival de críticas ao comportamento das CPIs, que humilham, abusam e vazam conteúdos e quebram sigilos, segundo vários votos a favor da freada de arrumação. Relator desse escândalo e também do caso Master, o ministro André Mendonça ficou sabendo que seu ímpeto de investigação, especialmente no Master, é um ímpeto… dele. Leia mais: Com decisão do STF, CPMI do INSS deve terminar até sábado (28) Análise: Contaminação eleitoral ronda CPMI do INSS Viana diz que Gilmar tem razão sobre vazamentos e cobra investigação No atual contexto político brasileiro, a tal freada nas investigações tem significado político muito mais abrangente do que a tal harmonia e separação entre os Poderes, como foi enfatizado hoje. O que se verifica é uma harmonia muito grande entre integrantes do Supremo, que estão no foco central do escândalo do Master, e o presidente do Senado, cujo incômodo com a CPMI do INSS, por exemplo, sempre foi notório. E o desconforto de todos com escândalos, especialmente o do Master. Nas aparências, o que se discutiu e votou hoje no plenário do Supremo foi separação entre os Poderes e limites de investigação por parte do Legislativo. No entanto, o que interessa mesmo foi outra coisa: como colocar dentro de balizas escândalos que teimam em escapar das tentativas de abafa e controle.