Os preços da arroba do boi gordo devem seguir mais sustentados ao longo de 2026, com cotações no mercado internacional próximas de US$ 70 a US$ 75 por arroba, segundo estimativa da consultoria MB Agro. O cenário é sustentado por uma oferta mais restrita de animais e pelo aquecimento do consumo interno no Brasil.A consultoria também alerta para a possibilidade de momentos de volatilidade no mercado, sobretudo diante de eventuais mudanças nas importações chinesas, seja por ajustes em cotas ou alterações na política comercial do país.Durante o 12º Simpósio da Nutripura, o Economista e Sócio da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, destacou que economia brasileira tem apresentado sinais de aquecimento e podem ajudar a sustentar o consumi interna para a carne bovina. Leia Mais Fávaro deve anunciar saída do Ministério da Agriculta durante feira em MT Mercado de fertilizantes entra em fase perigosa com acirramento da Guerra China pode atingir cota de carne bovina em julho “A taxa de desemprego está no menor nível das últimas décadas, o mercado de trabalho permanece apertado e a renda dos trabalhadores tem apresentado crescimento consistente”, destacou em sua palestra no Simpósio.O economista ainda reporta que a massa de renda real no país vem avançando cerca de 4% ao ano nos últimos dois anos. Considerando uma inflação próxima de 4,5%, a renda nominal dos trabalhadores cresce perto de 9,5% ao ano.“Esse aumento do poder de compra deve impulsionar o consumo de alimentos e ajudar a sustentar o mercado de carne bovina”, comentou.Ainda segundo o levantamento da MB Agro, o próprio mercado interno já demonstra capacidade de sustentar valores próximos de R$ 350 por arroba em determinadas localidades, mesmo sem considerar o impacto das exportações.Redução de oferta Além disso, a pecuária brasileira já está em uma redução na oferta de animais. Nos últimos anos, o país registrou um volume recorde de abates, resultado de um ciclo intenso de descarte de fêmeas no rebanho.Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) indicam que o Brasil chegou a abater a aproximadamente 43 milhões de cabeças em 2025, um avanço de 8,2% frente ao ano de 2024. O recorde anterior havia ocorrido em 2013, quando cerca de 34 milhões de animais foram abatidos.“O salto representa quase 10 milhões de cabeças adicionais em comparação com ciclos passados”, destacou Mendonça de Barros.O economista também destaca que parte desse crescimento está associada ao aumento da produtividade na pecuária brasileira, mas outra parte significativa ocorreu porque houve redução do estoque de fêmeas no rebanho.“Com menos matrizes disponíveis, a reposição de animais se torna mais cara e os pecuaristas passam a reter mais fêmeas para recompor o rebanho”, informou.A consequência direta é uma redução no número de animais enviados ao abate. Com isso, as projeções da MB Agro indicam uma queda próxima de 7% no volume abatido, o que representa cerca de 3 milhões de cabeças a menos.Após dois anos consecutivos de crescimento expressivo no abate de bovinos, os registros iniciais mostram uma retração próxima de 6,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior.“Essa mudança ocorre em um momento de forte demanda internacional por carne bovina”, pontuou o economista.Mercado Internacional Nos Estados Unidos, por exemplo, os preços da carne atingiram níveis recordes históricos. A carne moída chegou ao maior valor já registrado, um sinal claro de escassez de oferta no mercado americano.O rebanho bovino dos Estados Unidos atravessa um período de contração. O estoque de fêmeas no país está no menor nível dos últimos 75 anos.“Mesmo com preços recordes para bezerros, que já atingem cerca de US$ 11,00/kg que podem chegar a US$ 12,00 ou US$13,00/kg, sendo que muitos produtores ainda não iniciaram um processo significativo de retenção de matrizes, explicou o economista.Diante desse cenário, Mendonça de Barros avalia que o mercado internacional continuará com oferta restrita e demanda aquecida. Para o Brasil, isso significa um ambiente favorável para a pecuária nos próximos anos.“Isso tende a impulsionar os preços internacionais e abrir espaço para maiores exportações brasileiras”, apontou Mendonça de Barros.Por que o dólar é importante para o agro brasileiro?Por que o dólar é importante para o agro brasileiro?