Em 1994, Tostão tirou férias e foi trabalhar na TV Bandeirantes durante a Copa

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Uma história curiosa envolve o tricampeão Tostão, Eduardo Gonçalves de Andrade, um dos maiores nomes da história do futebol mundial. No início dos anos 70, depois de encerrar precocemente a carreira por causa do deslocamento de retina, ele cursou medicina e passou a exercer a profissão. “Quando eu fui convidado para ir à Copa do Mundo [de 1994, nos Estados Unidos), eu estava trabalhando diariamente com a medicina, não tinha nenhuma pretensão de voltar ao futebol. Mas, de repente, surgiu o convite, eu tirei férias e fui para a Copa”, conta Tostão. O ex-jogador relembra que teve a chance de rever antigos colegas campeões mundiais em 1970: “Eu fiquei em Dallas, onde estava o centro de imprensa. Eu não acompanhei de perto a seleção, que ficava na Califórnia. Fiquei junto com Armando Nogueira, por exemplo, um dos grandes do jornalismo brasileiro. E, de lá, nós assistimos aos jogos pela televisão. Eu fazia o programa diário [Apito Final] e me encontrei com o Gérson e o Rivellino, comentaristas oficiais da seleção. Um dia eles foram a Dallas, encontrei com eles, foi ótimo. Tinha mais de 20 anos que eu não via nenhum dos dois”. Dos sete jogos do Brasil, ele só assistiu no estádio ao duelo Brasil e Holanda, por ter sido disputado em Dallas.Tostão deu sorte, pois a seleção, apesar de criticada, chegou ao título mundial, depois de 24 anos. O ex-atleta avalia que a conquista foi justa, mesmo sendo uma equipe que fugiu das características do futebol brasileiro: “Foi uma seleção diferente do habitual do futebol brasileiro. Daí muitas pessoas terem criticado a seleção. O Parreira, apaixonado pelo futebol europeu, armou a seleção do jeito que a Inglaterra costumava jogar e costuma jogar até hoje, com duas linhas de quatro, recuadas, e com dois atacantes. Então, quando o time do Brasil perdia a bola, marcava com oito jogadores atrás e o Bebeto e o Romário [ficavam] na frente, um estilo europeu, na época, muito frequente. Isso não empolgou o torcedor brasileiro, mas o time era extremamente organizado e extremamente eficiente na defesa”. Tostão lembra que a bola chegava pouco ao gol de Taffarel. “O time ganhou merecidamente e merece os aplausos porque foi uma maneira indicada para jogar naquele momento de 24 anos sem título”, ressalta.Em 2024, 30 anos depois da conquista do tetra, Tostão me deu um depoimento e contou sobre a experiência de trabalhar na Copa ao receber um convite do narrador e diretor de esportes da Bandeirantes, Luciano do Valle: