O mercado de criptomoedas, que desde 2017 sofria com uma imagem atrelada quase exclusivamente a golpes, ganhou uma nova perspectiva corporativa após a entrada de gigantes como a Tesla, de Elon Musk. No entanto, as fraudes não desapareceram; elas apenas evoluíram de forma assustadora. Em entrevista ao portal Livecoins, Georgia Sanches, Country manager da Sumsub Brasil, detalhou o cenário atual e explicou como a Inteligência Artificial (IA) se tornou a grande protagonista dessa nova era.Georgia Sanches MergeDemocratização da IA e a Engenharia Social A finalidade dos golpes, como a lavagem de dinheiro e o roubo de contas, continua a mesma, mas os métodos mudaram radicalmente devido à democratização da IA. Georgia explica essa virada tecnológica: “Antigamente, para você conseguir criar um documento falso, você precisava ser um designer ou ter acesso a alguma ferramenta muito sofisticada. Hoje você não precisa disso por causa das ferramentas que a gente tem de [IA] generativa”.Essa tecnologia, quando combinada com a engenharia social (o uso de redes sociais e apps de mensagens para forjar relações), tem criado armadilhas extremamente críveis. Criminosos chegam a utilizar deepfakes para simular videochamadas se passando por celebridades como Elon Musk e Brad Pitt. “Hoje em dia, é cada vez mais difícil você identificar o que é uma fraude, o que é uma conexão real ali, o que é um documento real também”, alerta a especialista.O nível de sofisticação é tão alto que, desde 2024, até mesmo investidores veteranos, com mais de 10 anos de experiência, estão caindo em armadilhas como vagas de emprego falsas no Twitter. Os golpes no WhatsApp também atingiram outro patamar: se antes os criminosos apenas enviavam mensagens de texto se passando por parentes, hoje eles enviam áudios com vozes sintetizadas por IA e até vídeos manipulados de familiares clonados.De acordo com o Identity Fraud Report 2025 da Sumsub, a situação afeta a grande maioria dos usuários: “Acho que 83% das pessoas que foram entrevistadas disseram que já sofreram alguma tentativa de golpe”, revela Georgia. Diante disso, ela deixa um conselho prático: “A ideia é sempre desconfiar de tudo […], a gente precisa ser muito mais desconfiado, muito mais alerta do que aquilo está fazendo com a gente”, ressaltando que, na engenharia social, é preciso desconfiar de promessas que pareçam “muito boas para ser verdade”.O calcanhar de aquiles das corretoras: Fraudes no Pós-KYC Durante a entrevista, foi abordada a responsabilidade das corretoras (exchanges), que frequentemente perdem processos judiciais por falhas na segurança, permitindo o roubo dos fundos de seus clientes por hackers.Georgia trouxe um dado crucial para entender esse problema: “70% das fraudes ocorrem pós o KYC [verificação de identidade no cadastro], que é ali no monitoramento de transação, que é onde ocorrem essas fraudes”. Um exemplo clássico de roubo de conta é a mudança repentina de localização do usuário. “A pessoa estava no IP de São Paulo, deu uma hora, ela estava no IP da China. Então a gente entende que é humanamente impossível aquilo”, explica a especialista.Para lidar com fraudes que se tornaram invisíveis ao olho humano, a solução está na própria tecnologia. “Muitas dessas fraudes são imperceptíveis para o olho humano. Então, você precisa combater as fraudes de IA com ferramentas de antifraude de IA”, afirma Georgia.A especialista detalha que a base tecnológica que cria um deepfake é muito parecida com a utilizada para detectá-lo. Os sistemas da Sumsub realizam microinspeções, análises de nanopixelização e inspeções forenses nas imagens.Além disso, a plataforma aplica o que chamam de “enriquecimento antifraude”, cruzando dados como localização, IP, tipo de dispositivo e comportamento transacional. Caso o sistema identifique uma mudança brusca, como a tentativa de sacar todos os fundos de um novo IP, a ferramenta pode suspender a ação e “pedir uma verificação facial” antes de liberar o saque, protegendo o usuário e resguardando a corretora.Apesar do cenário desafiador para o usuário comum, Georgia finaliza a entrevista com uma mensagem de confiança voltada para a capacidade de resposta das ferramentas corporativas: “As pessoas às vezes estão um pouco assustadas com a tecnologia que a gente tem hoje em relação a fraude, mas a gente também tem a tecnologia antifraude para combater essa IA”. Os usuários, portanto, devem adotar a desconfiança como regra, enquanto as empresas precisam integrar as tecnologias mais modernas para garantir a segurança em seus ecossistemas.Fonte: Sumsub usa IA como escudo contra nova geração de golpes onlineVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.