Cuba e os Estados Unidos afirmaram que estão em negociações bilaterais em um momento de alta tensão, com o presidente Donald Trump impondo um bloqueio de petróleo de fato, o que pressionou ainda mais o governo comunista a se sentar à mesa de negociações.O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, insistiu que as negociações ocorram “com base na igualdade” e no respeito mútuo, mas Trump emitiu uma série de declarações ameaçadoras, incluindo a de que pode fazer “qualquer coisa que eu quiser” com Cuba, um país vizinho soberano.Ainda assim, fontes da administração Trump vazaram informações para a mídia de que algum tipo de acordo poderia ser feito. O jornal americano The New York Times, citando quatro fontes, afirmou que Washington buscava pressionar Díaz-Canel a deixar o poder. Em troca, os EUA poderiam aliviar as sanções e se abster de tomar qualquer medida contra a família Castro, segundo as reportagens.A seguir, apresentamos breves perfis dos atores que podem ter maior influência sobre o futuro do país governado pelo Partido Comunista. Leia Mais Presidente de Cuba diz que país se prepara para possível agressão dos EUA Rússia diz ter "solidariedade inabalável" com Cuba após ameaças de Trump EUA dizem que governo de Cuba "está nas últimas": "Deveriam ser cautelosos" Presidente dos EUA, Donald TrumpNas últimas semanas, Trump fez uma série de declarações ameaçadoras, incluindo a de que esperava ter a “honra” de “tomar Cuba”. Após lançar ataques militares contra o Irã, ele disse: “Estamos conversando com Cuba, mas vamos atacar o Irã antes de Cuba”.Com as forças americanas engajadas no Irã, o general de mais alta patente responsável pelas forças americanas na América Latina declarou em uma audiência no Senado que os militares dos EUA não estão ensaiando uma invasão de Cuba nem se preparando ativamente para tomar o controle militar da ilha.O acordo buscado pelos EUA, de acordo com a reportagem do Times e uma similar do USA Today, seria semelhante ao que aconteceu na Venezuela, onde os Estados Unidos depuseram o ditador Nicolás Maduro no dia 3 de janeiro. Em vez de tentar instalar um governo de oposição, Trump cooperou com a presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, que assumiu o poder quando as forças americanas prenderam Maduro.O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em 24 de março • Chip Somodevilla/Getty ImagesSecretário de Estados dos EUA, Marco RubioTrump afirmou que Rubio, um cubano-americano que ocupa os cargos de Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional, está liderando as discussões com representantes cubanos.Rubio, amplamente mencionado como possível candidato à presidência em 2028, nasceu em Miami e foi criado na cultura da diáspora cubana, que sempre demonstrou animosidade em relação à revolução cubana. Qualquer acordo que mantenha o Partido Comunista no poder e não exija nada dos Castros poderá ser mal recebido no sul da Flórida.Mas se o plano de Rubio for depor o governo cubano, isso acarretaria o risco de violência e a possibilidade de uma migração massiva de cubanos. Além disso, o governo de Cuba coopera na luta contra o narcotráfico. Um fim abrupto ao governo cubano criaria uma oportunidade para o crime organizado em um país com 5.746 km de litoral, a apenas 150 km da costa dos EUA.O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio • Jacquelyn Martin/Pool via REUTERSRaúl CastroRaúl Castro, de 94 anos, lutou ao lado do irmão mais velho, Fidel, na revolução que derrubou um aliado dos EUA em 1959 e serviu como leal ministro da Defesa do irmão por décadas. Ele ascendeu à presidência, primeiro interinamente quando Fidel adoeceu em 2006, e depois definitivamente quando Fidel se aposentou em 2008. Com a morte de Fidel em 2016, Raúl assumiu o papel de líder unificador entre os leais à revolução cubana.Ele ainda exerce influência mesmo depois de deixar a presidência em 2018 e a liderança do Partido Comunista em 2021, ostentando desde então o título honorífico de general do exército.Quando Díaz-Canel anunciou à nação que Cuba havia iniciado negociações com os EUA, afirmou que elas eram lideradas por Castro e por ele próprio. Díaz-Canel tem falado repetidamente sobre a participação de Castro em assuntos de Estado.Em dezembro de 2025, enquanto o Partido Comunista de Cuba se preparava para escolher o sucessor de Díaz-Canel em um congresso partidário crucial naquele ano, Castro propôs adiar o congresso indefinidamente, dada a crise econômica cubana. Em uma demonstração de sua influência contínua, o Comitê Central do partido aprovou a proposta por unanimidade.O ex-presidente cubano Raúl Castro discursa durante a Assembleia Nacional no Palácio das Convenções em 19 de abril de 2018 em Havana, Cuba. Díaz-Canel será o primeiro presidente cubano não pertencente à família Castro desde 1976 • Alexandre Meneghini-Pool/Getty ImagesMiguel Díaz-CanelO presidente de Cuba e líder do Partido Comunista tornou-se o primeiro não-Castro a liderar o governo desde 1959, quando ascendeu à presidência em 2018.Logo no início, ele enfrentou uma série de grandes reveses, incluindo a ascensão de Trump, que reverteu a política de reaproximação dos EUA com Cuba, estabelecida por seu antecessor, Barack Obama.Então, em 2020, a pandemia do coronavírus atingiu o país, sufocando a importantíssima indústria do turismo em um momento em que o governo investia bilhões de dólares em novos e reluzentes hotéis, que agora estão vazios.No entanto, foi a resposta de Díaz-Canel a uma revolta popular massiva que prejudicou gravemente sua imagem pública.Após protestos espontâneos em todo o país em 11 de julho de 2021, que abalaram o governo comunista como nenhum outro evento em décadas, as forças de segurança cubanas reprimiram rapidamente a revolta, depois que Díaz-Canel instou os apoiadores do governo a confrontarem os manifestantes.“A ordem de combate foi dada!”, disse Diaz-Canel.A repressão que se seguiu, aliada a uma crescente crise econômica, prejudicou a imagem de Díaz-Canel.Qualquer capitulação cubana – especialmente uma que levasse Díaz-Canel a renunciar faltando dois anos para o término do mandato como presidente e cinco anos como líder do partido – seria sem precedentes.Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante fórum econômico em Minsk, em Belarus 26/06/2025 Sputnik/Sergey Bobylev/Pool via REUTERS • via REUTERSRaul Guillermo Rodriguez CastroConhecido como “El Cangrejo”, ou “O Caranguejo”, Rodríguez Castro, de 41 anos, é amplamente considerado um dos confidentes mais próximos do avô, Raúl Castro. Como ex-guarda-costas do avô, ele frequentemente esteve ao seu lado durante a presidência. Há relatos de que ele possui a patente de tenente-coronel.O governo cubano não respondeu a um pedido de esclarecimento sobre a biografia de Rodríguez Castro ou seu possível papel nas negociações.O jornal americano Axios, citando três fontes não identificadas, noticiou em fevereiro que Rodríguez Castro estava em negociações secretas com Rubio. O Miami Herald, citando fontes não identificadas, também noticiou em fevereiro que autoridades próximas a Rubio se reuniram com Rodríguez Castro à margem de uma conferência regional da Comunidade Caribenha em São Cristóvão e Névis.Rodríguez Castro é filho de Deborah Castro Espin, filha de Raúl, e do falecido General Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, que chefiava o conglomerado empresarial militar GAESA.Durante a presidência de Raúl Castro, a GAESA assumiu o controle das empresas mais importantes do estado, incluindo hotéis, bancos, logística e varejo. Rodríguez López-Calleja morreu de ataque cardíaco em 2022, aos 62 anos. Reportagens da mídia sugerem que Rodríguez Castro pode ter assumido algum papel na empresa de seu falecido pai.Essa linhagem coloca Rodríguez Castro na interseção entre a liderança política de Cuba e sua instituição econômica mais poderosa, tornando-o um intermediário potencialmente importante para Washington.Rodríguez Castro nunca se pronunciou publicamente nem concedeu entrevistas.O coronel cubano Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, comparece ao funeral dos 32 soldados cubanos mortos durante a incursão dos EUA na Venezuela, no cemitério de Colón, em Havana, em 16 de janeiro • Yamil Lage/AFP/Getty Images via CNN NewsourceManuel MarreroNomeado primeiro-ministro por Díaz-Canel em 2019 e ratificado pela Assembleia Nacional, Marrero foi elevado ao Politburo, o comitê de elite que dirige o Partido Comunista, em 2021, o que o colocou na lista restrita de possíveis sucessores de Díaz-Canel.Ex-engenheiro arquiteto, Marrero, de 62 anos, ocupou o cargo de ministro do Turismo de 2004 a 2019.Segundo a EcuRed, enciclopédia online oficial de Cuba, Marrero também foi presidente do Grupo Gaviota, subsidiária de turismo da GAESA, onde ajudou a construir dois resorts.Oscar Perez-Oliva FragaAmplamente considerado uma estrela em ascensão devido ao rápido crescimento de atuação desde que se tornou ministro do Comércio Exterior em 2024, ele também assumiu os cargos de vice-primeiro-ministro e integrante da Assembleia Nacional em 2025.Ele também é parente dos irmãos Castro, já que a avó materna, Angela Castro, era irmã de Fidel e Raúl Castro, o que lhe confere prestígio como um Castro, mas sem o peso de carregar o sobrenome.Quando Cuba lançou um plano para atrair investimentos de cidadãos cubanos residentes no exterior, Pérez-Oliva Fraga recebeu amplo espaço na televisão controlada pelo governo para explicar a política.Analistas especulam que Perez-Oliva Fraga possa desempenhar um papel semelhante ao de Delcy Rodriguez na Venezuela.Quem é Díaz-Canel, presidente sucessor dos Castro que vê Cuba sob ameaça