WSL vê risco de elite do surfe fora de LA 2028 após novo critério

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O novo critério de classificação para o surfe nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 pode reduzir as chances de atletas entre os melhores do mundo garantirem vaga. A avaliação é de Ivan Martinho, presidente da World Surf League (WSL) na América Latina.Pelo formato oficializado em fevereiro pela International Surfing Association (ISA), apenas 10 atletas — cinco homens e cinco mulheres — garantem vaga olímpica por meio do ranking do Championship Tour (CT), com limite de um representante por país. Leia Mais CEO da LA 28 reforça apoio a dirigente após documentos ligados a Epstein Jogadores do Corinthians aproveitam folga surfando e mencionam a WSL Surfe: Yago Dora critica mudanças na classificação olímpica para LA 2028 No ciclo anterior, rumo a Paris 2024, eram 18 vagas diretas (10 homens e 8 mulheres), com possibilidade de até dois atletas por país em cada gênero.Na prática, o cenário afeta potências do surfe como o Brasil. Caso o ranking do circuito mundial termine com mais de um atleta do país entre os melhores, apenas o mais bem colocado garante a vaga direta. Os demais precisam buscar a classificação em outras competições organizadas pela ISA.“Os melhores atletas do mundo competem na WSL. Então, obviamente, essa mudança de critério pode trazer alguns atletas que não são necessariamente os melhores do mundo naquele momento”, afirmou Martinho.“Ela diminui a chance de os melhores do mundo estarem nas Olimpíadas. Não quer dizer que eles não possam conseguir por meio de outro caminho, mas ela diminui essa chance”, completou.Segundo ele, o formato também pode afetar o nível técnico da competição.“Eventualmente, outros surfistas que não estão dentro da elite podem obter essa vaga. Isso porque o esporte é muito ocasional, pode depender da condição do mar naquele dia específico”, explicou.A preocupação está na natureza dos eventos. Enquanto a WSL coroa o campeão após uma maratona de nove meses em diferentes tipos de mar, exigindo consistência técnica e física, a ISA decide vagas em torneios de tiro curto, muitas vezes definidos em uma única semana.“A posição da WSL é apoiar um sistema de qualificação que privilegie que os melhores do mundo tenham chances de se classificar”, ressaltou.Apesar das críticas, a liga reconhece que o modelo amplia a diversidade de países participantes, um dos pilares do movimento olímpico.“À medida que você cria outras formas de acesso, dá oportunidade a mais nacionalidades. Você permite que atletas tenham uma exposição grande, mesmo não estando na elite. É uma questão de ponto de vista. O importante é que o surfe esteja no calendário olímpico, e a posição da WSL é sempre apoiar nossos atletas”, disse.A WSL também mantém diálogo com a ISA para alinhar o calendário e evitar sobrecarga nos atletas, considerando que eles terão que disputar vagas em torneios fora do circuito mundial.“Sem dúvida essa é uma preocupação. As duas entidades se conversam, encontram um calendário que não crie eventos concomitantes, ao mesmo tempo que faça sentido do ponto de vista logístico. Vemos oportunidades no calendário para que os atletas possam estar com o seu melhor vigor físico e as melhores condições para competir em igualdade”, destacou.A mudança também recebeu críticas de surfistas da elite. Yago Dora, campeão da WSL em 2025, afirmou que considera o novo critério injusto.“Não queremos um caminho mais fácil para nos classificar do que o resto dos surfistas. Queríamos apenas que fosse justo e garantir que os melhores surfistas estejam representando seus países nos Jogos Olímpicos”, disse em entrevista à Reuters.“Se eles vão distribuir essas cinco vagas, deveriam fazê-lo da forma mais justa possível, que seria considerar todo o ano de 2027”, afirmou, destacando a consistência exigida no circuito mundial e o caráter imprevisível de muitas competições pontuais de surfe.O italiano Leonardo Fioravanti, atleta olímpico e nono colocado do circuito mundial, também se manifestou. “As Olimpíadas são o maior evento único do surfe profissional, e não seria desejável que os melhores surfistas tivessem a melhor chance de se classificar?”, escreveu nas redes sociais.