Ibovespa resiste à guerra e fecha em alta com ajuda de Petrobras (PETR4)O Ibovespa até ensaiou perder força ao longo do pregão, mas encontrou sustentação nas ações de commodities e conseguiu fechar no campo positivo nesta terça-feira (24). Em meio a sinais contraditórios sobre a guerra no Oriente Médio, o índice subiu 0,32%, aos 182.509 pontos, após oscilar entre perdas e ganhos durante o dia.O movimento reflete um mercado que ainda tenta entender o rumo do conflito — e reage praticamente em tempo real às manchetes.Ibovespa: mercado oscila entre alívio e tensãoA sessão foi marcada por uma mudança constante de humor. De um lado, declarações vindas dos Estados Unidos indicavam possível avanço nas negociações com o Irã. De outro, novos ataques e negativas do próprio governo iraniano colocaram em dúvida qualquer cenário de trégua no curto prazo.Na prática, o investidor segue operando no escuro.Como resumiu Fernando Bresciani, analista do Andbank, o dia foi guiado por essas idas e vindas “O movimento reflete reações a declarações dos EUA indicando possível acordo com o Irã. No Brasil, a bolsa sobe puxada principalmente por Petrobras e, em menor medida, por Vale.”Esse tipo de dinâmica tem sido a regra nas últimas semanas: qualquer sinal de distensão anima, mas a falta de confirmação rapidamente devolve a cautela.Petrobras (PETR4) segura o índice; bancos limitam altaO suporte do índice veio novamente das commodities.As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiram acompanhando o petróleo, enquanto a Vale (VALE3) também contribuiu com o avanço do minério de ferro.Já do outro lado, o setor financeiro pesou:Itaú (ITUB4) caiuBradesco (BBDC4) recuouBanco do Brasil (BBAS3) também fechou no negativoEsse movimento misto acabou limitando um ganho mais expressivo do índice.Bolsas dos EUA hojeO cenário externo seguiu na mesma linha de incerteza:Dow Jones caiu 0,18%, aos 46.123,75 pontosS&P 500 recuou 0,37%, aos 6.556,34 pontosNasdaq perdeu 0,84%, aos 21.761,89 pontosA leitura global continua sendo de cautela, principalmente por conta do impacto do petróleo na inflação e nos juros.Juros entram no radar com ata do CopomNo Brasil, a ata do Copom reforçou um ponto importante: o cenário segue dependente do exterior.Segundo Silvia Ludmer, economista-chefe do Andbank, o Banco Central até vê melhora na inflação, mas não tem espaço para acelerar decisões: ”A inflação segue acima da meta e exige uma postura cautelosa, com cortes de juros, mas ainda em nível restritivo.”Ou seja, o ciclo de queda da Selic continua — mas com mais incerteza no caminho.O que o mercado está tentando precificarNo fim do dia, o sentimento ficou claro: o mercado até quer acreditar em um alívio no conflito, mas ainda não tem convicção.Para Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos, o movimento de hoje mostra isso: “O mercado começa a tomar um pouco mais de risco com expectativa de acordo, mas ainda está longe dos patamares anteriores.”Enquanto não houver um sinal mais concreto de resolução, o padrão deve continuar o mesmo: alta volatilidade, reações rápidas e mudanças de direção ao longo do pregão.Nesse cenário, o Ibovespa segue sustentado por fluxo e commodities — mas ainda refém do noticiário global.