Boletim Focus eleva IPCA para 4,31% e mantém Selic de 2026 em 12,50%; veja os detalhesO Boletim Focus desta segunda-feira (30) trouxe nova alta nas projeções de inflação para 2026, em meio às incertezas provocadas pelo avanço dos preços do petróleo no cenário internacional. Ao mesmo tempo, o mercado manteve a estimativa para a taxa Selic ao fim do próximo ano, indicando maior cautela na trajetória de queda dos juros.A mediana do Focus para o IPCA de 2026 subiu pela terceira semana consecutiva, passando de 4,17% para 4,31%. O nível já se aproxima do teto da meta de inflação, de 4,50%, ficando apenas 0,19 ponto porcentual abaixo do limite. Há um mês, a projeção era significativamente menor, em 3,91%.Considerando apenas as 71 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis — mais sensíveis a mudanças recentes — a mediana avançou de 4,21% para 4,47%, praticamente colada ao teto da meta perseguida pelo Banco Central.Para 2027, a projeção também foi revisada para cima, de 3,80% para 3,84%. No recorte das estimativas mais recentes, a inflação esperada subiu de 3,81% para 3,93%. Já para 2028, a mediana passou de 3,52% para 3,57%, na segunda alta consecutiva, enquanto para 2029 permaneceu em 3,50%.O movimento reflete, principalmente, a pressão recente nos preços internacionais do petróleo, intensificada pelos conflitos no Oriente Médio, que tende a contaminar a inflação doméstica por meio de combustíveis e custos logísticos.O Banco Central projeta que o IPCA encerrará 2026 em 3,9% e atingirá 3,3% no terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária. Desde 2025, a meta de inflação é contínua, com centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.Boletim Focus: Selic se estabiliza em 12,50% após ciclo de altasNo campo da política monetária, a mediana do Focus para a Selic ao fim de 2026 se estabilizou em 12,50%, após três semanas consecutivas de alta. Um mês antes, a projeção era de 12,0%. Considerando apenas as 81 estimativas atualizadas recentemente, a expectativa também permaneceu em 12,50%.Na última reunião, realizada em 18 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% — o primeiro corte em quase dois anos. Apesar do movimento, o colegiado sinalizou aumento das incertezas no cenário.O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou esse ponto ao afirmar que a autoridade monetária adota uma postura mais conservadora diante da baixa visibilidade, especialmente em relação aos impactos da alta do petróleo sobre a inflação.“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, afirmou Galípolo.Para os anos seguintes, as projeções permanecem relativamente estáveis. A mediana para a Selic ao fim de 2027 continuou em 10,50%, enquanto para 2028 permaneceu em 10,00%. Já para 2029, houve leve alta, de 9,50% para 9,75%, após um longo período de estabilidade.Com isso, o Boletim Focus mais recente indica um cenário de inflação pressionada no curto prazo e uma trajetória de juros mais cautelosa, à medida que o Banco Central monitora os efeitos do ambiente externo sobre a economia brasileira.