Aliados do governo avaliaram como uma “traição à pátria” e à soberania brasileira a fala do senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre negociar minerais críticos com os Estados Unidos. Para governistas, a declaração do congressista é “grave” e tem motivação eleitoreira.“Ele [Flávio] disse que vai entregar nossas riquezas minerais de terras raras aos norte-americanos. Isso é gravíssimo! Não vamos permitir que esse traidor da pátria continue a enganar, manipular, nas redes sociais, brasileiras e brasileiros de boa fé, enquanto articula intervenção de um país estrangeiro nas eleições no Brasil”, afirmou nas redes sociais o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). Leia Mais: Lula escala ministros para agenda de entregas antes de trocas na Esplanada Veja como foi o primeiro final de semana da domiciliar de Bolsonaro Flávio nega querer interferência nas eleições, mas pede pressão diplomática No sábado (28), Flávio participou da CPAC (Conservative Political Action Conference, em inglês), conferência do movimento conservador norte-americano, junto do irmão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).Em discurso no evento, Flávio disse que o Brasil é a “solução dos Estados Unidos” para romper com a dependência da China na obtenção de minerais críticos, em especial as chamadas terras raras. Segundo ele, o Brasil será “campo de batalha” onde o futuro do hemisfério será decidido em relação aos minerais críticos.De acordo com a ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, o discurso de Flávio é um aceno ao presidente norte-americano Donald Trump.“Os vendilhões da pátria não tomam jeito. Flavio Bolsonaro e seu irmão Eduardo, foragido da Justiça, estavam neste sábado nos EUA fazendo juras de subserviência a Donald Trump e espalhando mentiras sobre o Brasil”, disse nas redes sociais.Para o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, a fala de Flávio é o “fato mais grave das eleições de 2026” até o momento. A declaração mira, de acordo com o ministro, o apoio norte-americano nas eleições.“Flávio Bolsonaro se comprometeu publicamente a entregar as terras raras e minerais críticos do Brasil aos EUA se for eleito presidente. Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira em troca de apoio. Entenderam o que vai estar em jogo em outubro?”, disse Boulos nas redes sociais.Na mesma linha, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), avaliou haver ameaça à soberania brasileira. “Flávio Bolsonaro entrega nossas riquezas, nossas terras raras, nossa soberania em troca de apoio norte-americano na sua eleição”, disse no X (antigo Twitter).O vice-líder do PSD e do governo na Câmara, deputado Pedro Campos (PE), comparou o discurso de Flávio com uma declaração de Lula na 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino‑Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá, realizada no sábado (21). Na ocasião, o presidente defendeu o protagonismo da América Latina e do continente africano nas cadeias de minerais críticos.“O tempo sempre mostra a verdade! No intervalo de uma semana, o Brasil pôde ver com clareza quem defende nosso povo e quem prioriza interesses de fora”, disse Pedro Campos.A CNN questionou Flávio Bolsonaro sobre as declarações. O espaço está aberto.Nos EUA, Flávio Bolsonaro afirma que não quer interferência estrangeira nas eleições | BOLETIM CNN