RJ recebe barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo

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Uma parceria entre os projetos Orla Sem Lixo Transforma (OSLT) e Fiotrar, levou uma ação inédita à Baia de Guanabara: a instalação de barreira de contenção de óleo produzidas a partir de fios de cabelo humano.Rolos feitos com malha de algodão e recheados de fios de cabelo, desenvolvidos Fiotrar, foram acoplados a uma barreira flutuante de aproximadamente 300 metros de extensão, instalada previamente pelo Orla Sem Lixo Transforma. A estrutura flutuante – produzida com isopor, tecido e camadas de mantas geossintéticas, coberta por uma lona – já atua na retenção de resíduos sólidos e, agora, passa também a absorver poluentes oleosos, ampliando a proteção de um manguezal da região.Foto: Orla Sem Lixo Transforma“Este momento é, acima de tudo, a validação de anos de pesquisa e desenvolvimento da nossa tecnologia. Depois de um longo caminho para transformar uma ideia em uma solução aplicável, chegar a essa etapa significa provar, na prática, que é possível unir ciência, sustentabilidade e impacto social de forma concreta”, afirma Caroline Carvalho, diretora do Fiotrar.Com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, a barreira foi instalada na Enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Esta é a primeira vez que a tecnologia baseada no reaproveitamento de cabelo humano desenvolvida pelo Fiotrar é aplicada em ambiente natural. Estudos indicam que um grama de cabelo pode absorver, em média, cinco gramas de óleo, característica que torna o material uma alternativa promissora para o enfrentamento da poluição. Leia também: 1.Projeto no Havaí retira 84 toneladas de redes de pesca do oceano 2.Cabelo humano é usado para medir a poluição em Bangkok Para Susana Vinzon, coordenadora do projeto Orla Sem Lixo Transforma e professora da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a iniciativa conjunta representa a consolidação deste processo de experimentação. “A instalação da barreira conjunta é resultado de um ciclo de testes conduzido ao longo do último ano, que buscou adaptar a tecnologia às condições ambientais específicas da Baía de Guanabara e às características estruturais das barreiras desenvolvidas”, explica.A barreira desenvolvida pelo Orla Sem Lixo Transforma, em colaboração com pesquisadores e pescadores artesanais da região, une conhecimento científico e tecnologia social. A incorporação da solução do Fiotrar é resultado de um processo iniciado em 2025, com mediação da Fundação Grupo Boticário, que incluiu experimentações em campo ao longo do último ano. Os dois projetos foram apoiados em 2021 pelo Teia de Soluções – Camp Oceano, promovido pela Fundação para alavancar soluções favoráveis à saúde do oceano.Foto: Instagram | Fiotrar“Essa iniciativa mostra como diferentes soluções podem se complementar para enfrentar desafios ambientais complexos como a poluição marinha. Ao apoiar o desenvolvimento dos projetos em diferentes regiões do país e promover essa conexão, buscamos justamente potencializar os impactos positivos, aproximando ciência, inovação e comunidades locais em torno de soluções concretas”, afirma a oceanógrafa Liziane Alberti, especialista em conservação da biodiversidade na Fundação Grupo Boticário.A conservação dos manguezais é estratégica para a resiliência da Baía de Guanabara. Considerados uma das principais Soluções Baseadas na Natureza (SBN), eles funcionam como uma infraestrutura viva: 100 metros de manguezal preservado, por exemplo, são capazes de reduzir a força das ondas em até 60%, protegendo a linha de costa contra a erosão e eventos climáticos extremos. Ao evitar que o óleo e os resíduos sólidos asfixiem as raízes e o solo desse ambiente, as novas barreiras garantem que o manguezal continue exercendo seu papel essencial de proteção costeira e sequestro de carbono.Foto: Instagram | FiotrarThe post RJ recebe barreira feita com fios de cabelo para conter óleo e lixo appeared first on CicloVivo.