Fundos que zeraram risco na hora certa escaparam do pior em março

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Nem todos os multimercados saíram iguais da tempestade de março. Enquanto a maioria da indústria apanhava com o choque da guerra no Irã, um grupo seleto de fundos — especialmente os de estratégia long short e quantitativos — conseguiu defender o capital e, em alguns casos, seguir batendo o CDI no ano. A diferença entre os que sobreviveram bem e os que mais sofreram está, em grande medida, em uma decisão tomada nos primeiros dias do conflito: zerar ou não zerar o risco.“Cada dia é um conjunto de informações novas que faz o gestor atualizar a posição”, disse Alexandre Aagesen, gestor de portfólio da XP Advisory. “Teve um momento em que alguns gestores até acreditaram que poderia ser mais breve e mantiveram. Mas depois, logo no dia seguinte, você viu que a parada escalava — e isso fez com que fossem até forçados a reduzir risco.”A análise foi feita no programa Stock Pickers – Carteiros do Condado, apresentado por Lucas Collazo e Davi Fontenele, com Aagesen como convidado. O episódio dedicou atenção especial ao mapa de vencedores e perdedores da crise — e ao que as cartas dos gestores, publicadas no início de março, já revelavam sobre o posicionamento de cada um antes do impacto.Veja mais: Gringo entra forte no Brasil e local pode perder a próxima alta, dizem gestoresE também: Aftermarket: Com Hormuz fechado e caos global, um Trump sem saída assusta mercadosA lógica é direta: quem escreveu na carta de fevereiro que a guerra seria longa e séria provavelmente já havia reduzido exposição antes de o estrago se aprofundar. Quem apostou em um conflito passageiro — algo comparável, nas palavras de Fontenele, ao episódio da captura de Maduro na Venezuela, que não chegou a mover o petróleo — acabou demorando mais para agir e pagou o preço na cota.EUA discutem cessar-fogo de 1 mês com Irã e acordo nuclear duro, diz mídia israelenseEUA enviam ao Irã plano em 15 pontos para encerrar guerra, diz fonteVerde se destaca como único macro no topoEntre os fundos macro, um nome se sobressai na lista dos que continuam superando o CDI no acumulado do ano: o Verde, gerido por Luiz Stuhlberger. É também o fundo com o histórico de cota mais longo da indústria brasileira — estava ativo em 2008, durante a segunda maior queda do índice de multimercados, e segue de pé agora, na terceira. “Claramente, a guerra fez mal para a posição dele, mas ele conseguiu, talvez, zerar mais rápido do que o concorrente, e já tinha uma gordura acumulada no ano”, disse Fontenele.A fotografia do desempenho é ilustrativa: o Verde perde no mês, mas entrega resultado robusto em 12 meses — acima do CDI de 14,75% ao ano, mesmo com o evento de guerra jogando contra.“É como se ele tivesse criado uma gordura de CDI mais 2% e agora estivesse rendendo CDI menos 1%, grosso modo. Fica, mais ou menos, no ano, CDI mais 1%””— Davi Fontenele, analista de fundos da XP.Leia também“Latam proxy”: por que o Brasil virou porta de entrada dos gringos em emergentesO Brasil está sendo chamado de Latam proxy lá foraNa crise, proteger a carteira ficou caro demais — e gestores preferiram andar leveMetade da bolsa brasileira está nas mãos de investidores estrangeirosFora do universo macro, os fundos long short — que exploram operações de valor relativo na bolsa, apostando simultaneamente na alta de alguns papéis e na queda de outros — aparecem em destaque na lista dos que melhor navegaram o período. Nomes como Solana, Atmos Red, Constância Absoluta e AzQuest Base foram citados. “O AzQuest era a carta mais pessimista das que eu li em relação à guerra. Está ganhando 1% no mês, conseguiu defender”, disse Fontenele.Os fundos quantitativos também aparecem bem posicionados. Ace Macro Cenários e Kadima foram mencionados como exemplos de estratégias que, na janela do ano, seguem bem acima do CDI. O padrão que emerge da tabela é claro: diversificação entre estratégias diferentes foi o que separou as carteiras que resistiram das que sentiram o baque de forma mais aguda.The post Fundos que zeraram risco na hora certa escaparam do pior em março appeared first on InfoMoney.