MDB e Lula: o racha que o Planalto não conseguiu evitar

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O Palácio do Planalto apostou na sedução. Ofereceu ministérios, acenou com a vice-presidência e deixou Renan Calheiros e Helder Barbalho trabalharem nos bastidores para segurar o MDB na base de Lula para 2026. Não funcionou.No início de março, o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela, capitaneou um movimento que expôs publicamente o tamanho do problema: 17 dos 27 diretórios estaduais do partido assinaram um manifesto contra qualquer aliança nacional com o PT. O texto não deixou margem para interpretação — o MDB “não aceitará, sob nenhuma hipótese, estar associado” ao atual governo. Vilela foi ainda mais direto: “É absolutamente zero a chance de o MDB se coligar com o PT em nível nacional.”O estopim foi a tentativa petista de substituir Geraldo Alckmin por um nome do MDB na vice de Lula. O movimento, que deveria atrair o partido, teve o efeito contrário — e acelerou a rebelião interna. Entre os signatários do manifesto estão os prefeitos Ricardo Nunes, de São Paulo, e Sebastião Melo, de Porto Alegre. Os articuladores do documento estimam que o grupo representa cerca de 70% da convenção nacional — o fórum que decide oficialmente as alianças do partido.A ala governista segura o que pode. Jader Barbalho Filho, ministro das Cidades, chegou a defender em fevereiro que o MDB apoie Lula já no primeiro turno “por coerência”, já que o partido ocupa três ministérios. Mas a narrativa não emplacou fora do Nordeste.Nos bastidores, há um segundo front que alimenta a tensão interna. Fontes ouvidas pela Jovem Pan revelam que o deputado federal Isnaldo Bulhões (MDB-AL) estaria de olho na presidência nacional do partido, mirando uma eventual sucessão de Baleia Rossi para puxar a legenda em direção a uma postura mais alinhada à esquerda e ao projeto petista. A movimentação de Bulhões não passou despercebida. Segundo as mesmas fontes, diante dessa articulação, Baleia Rossi estaria se reposicionando internamente — buscando consolidar uma bandeira mais à direita para blindar sua liderança, o que incluiria um possível apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro em São Paulo.O próprio PT já recuou das pretensões mais ambiciosas. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, admitiu publicamente que não espera mais uma aliança formal com o MDB em nível nacional — e que as composições devem se resolver estado a estado.A decisão oficial só vem na convenção partidária, prevista entre julho e agosto. Mas o recado dos diretórios já foi dado — e a disputa pelo futuro do MDB corre em paralelo à disputa eleitoral. O partido que em 2022 foi peça-chave na vitória de Lula pode, em 2026, estar no campo oposto. E o Planalto sabe disso.