A empresa Meta foi considerada culpada em uma ação judicial movida em um tribunal do Novo México, nos Estados Unidos. A companhia era acusada de "enganar os consumidores" sobre a segurança das plataformas, em especial no uso por menores de idade.O procurador-geral Raúl Torrez, que liderou a acusação, alega que a Meta sabia dos riscos potenciais de serviços como Instagram e Facebook para crianças. Esses perigos incluem o contato de criminosos sexuais, que poderiam facilmente iniciar conversas com menores de idade e de fato cometer crimes de exploração ou abuso infantil.Segundo o veredito do júri, a Meta sabia que estava prejudicando a saúde mental de crianças e escondeu os riscos também conhecidos sobre exploração infantil nas redes da empresa, enganando os usuários a partir de declarações oficiais. Ela teria violado uma lei estadual de práticas de mercado ao "tomar vantagem" da vulnerabilidade do público infantil.No julgamento, foram apresentadas como evidência mensagens internas da Meta confirmando que a companhia estava ciente dos riscos de abuso infantil nas plataformas. Ex-funcionários e especialistas em saúde mental de crianças também prestaram depoimento;Casos concretos de exploração infantil que se iniciaram a partir de serviços como o Messenger do Facebook também viraram prova: em um dos casos, três homens foram presos em 2024 por tentar marcar encontros presenciais com menores de idade usando o mensageiro;Instituições de apoio a crianças vítimas de abuso criticaram limitações nos relatórios e nas atividades da Meta em relação a esses casos, incluindo relatórios volumosos e considerados inúteis para o caso, com o uso considerado exagerado de IA para moderação;Outro recurso que foi apresentado como um obstáculo para investigações é a criptografia de ponta a ponta no Messenger, que impedia o rastreamento de possíveis criminosos — função que na última semana foi descontinuada no Instagram.A companhia foi condenada a pagar uma multa de US$ 375 milhões (ou R$ 1,97 bilhão, em conversão direta de moeda). O valor é apenas um quinto do que a acusação originalmente pedia, mas representa a pena máxima pelas violações confirmadas no tribunal.O que diz a MetaEm nota, a Meta diz que "respeitosamente discorda" do veredito e vai recorrer da decisão. "Nós trabalhamos duro para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e somos transparentes sobre os desafios de identificar e remover atores nocivos ou conteúdos danosos", diz o comunicado.Um segundo julgamento, marcado para maio deste ano e agora sem a presença de um júri, vai determinar se a Meta terá que fazer mudanças nas próprias plataformas para se adequar e reforçar a proteção de usuários mais jovens.O processo ainda cita elementos de engajamento e vício propositalmente presentes nessas redes sociais, mas esse acabou não sendo o foco do debate. Porém, a Meta também foi processada ao lado de outras plataformas digitais em Los Angeles por criar aplicativos que prejudicam a saúde mental de jovens, em um caso ainda sem decisão.O TecMundo produziu um documentário que trata das investigações e dos riscos envolvendo abuso infantil na internet. Conheça o Realidade Violada: Predadores Sexuais neste link.