Estreia recente da Netflix, a minissérie Emergência Radioativa trouxe de volta ao debate o acidente com o césio-137, relembrando a história e os envolvidos. O caso grave de contaminação por radioatividade aconteceu na cidade de Goiânia (GO), em 1987, e é considerado um dos maiores do tipo em todo o mundo.Gerando consequências até os dias atuais, o acidente radiológico ocorreu após o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado. Classificado como nível 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, resultou em quatro mortes imediatas e milhares de pessoas afetadas.O que é o césio-137?Isótopo radioativo do elemento químico césio e com tempo de meia-vida de aproximadamente 30 anos, o césio-137 é obtido a partir da fissão nuclear de átomos pesados, entre os quais o urânio-235. Seu núcleo emite radiação do tipo beta, prejudicial à saúde.Com a desintegração no processo de reação nuclear, ele se transforma no bário-137, que por sua vez libera a radiação gama. Esta é ainda mais tóxica, apresentando poder de penetração mais profundo.Ela é formada por partículas ionizantes e radiação eletromagnética, que penetram os tecidos humanos e podem causar alterações severas nas células e até mesmo no DNA, entre outras complicações. Isso se deve à sua alta capacidade energética.O césio-137 é um isótopo radioativo do césio, derivado de reações de fissão nuclear. (Imagem: aprott/Getty Images)Principais usos do césio-137Apesar dos riscos, a radiação gama liberada na desintegração do elemento pode ser vantajosa, desde que manipulada adequadamente. Assim, é usada de diferentes maneiras, em vários setores da indústria.Confira os principais usos do césio-137:MedicinaUsada principalmente na medicina, a radiação gama emitida pelo césio-137 é empregada em equipamentos de radioterapia para tratamento de câncer. Modelos mais recentes desses dispositivos já recebem outros elementos radioativos, mas ele ainda continua em uso.O elemento químico também está em aparelhos de tomografia que ajudam no diagnóstico de câncer. Outra utilidade, na área, é para a esterilização de equipamentos cirúrgicos antes da utilização em novos procedimentos.A radiação do elemento é aproveitada em alguns equipamentos para diagnóstico e tratamento de câncer. (Imagem: gorodenkoff/Getty Images)Indústria alimentíciaNeste segmento, o isótopo é empregado na irradiação de carnes, frutas e outros alimentos. Devido às suas características, a radiação liberada contribui para eliminar bactérias e fungos que deterioram os produtos.Dessa forma, previne contaminações como as causadas por salmonella e outros micro-organismos. A radiação ionizante amplia a validade dos alimentos e o uso desse recurso deve ser informado na embalagem do produto, por meio de um símbolo específico.Outras aplicações do césio-137A radiação do césio-137 também é usada em outras atividades industriais. Ela está em medidores de nível para tanques e silos, medidores de densidade de umidade, medidores de espessura e auxilia em determinados processos de controle de qualidade.Calibração de instrumentos de medição de pesquisas científicas e atividades de datação de solo e sedimentos são outras aplicações nas quais ela está envolvida. Além disso, pode ser usada para rastrear poluição radioativa.Precauções com o material radioativoEmissor de radiações beta e gama, o césio-137 precisa passar por uma preparação adequada para implementação nos equipamentos de tomografia, tratamento de câncer e esterilização de alimentos, entre outras práticas. Isso envolve a sua "blindagem".O processo inclui a utilização de materiais com capacidade de atenuar ou absorver a radiação do isótopo. Geralmente, a escolha é pelo chumbo, devido à sua elevada densidade, o que garante uma maior absorção dos raios beta e gama.Assim, é comum que, nesses aparelhos, o césio-137 esteja embalado em cápsulas de chumbo, protegidas por paredes espessas, reforçando a proteção de pacientes e profissionais que manipulam os equipamentos. Ferro e concreto são outros materiais comuns na blindagem.Cápsula da qual foi retirado o césio-137 que causou o acidente radiológico de Goiânia. (Imagem: Governo do Estado de Goiás/Reprodução)No acidente radiológico de Goiânia, o material estava em uma cápsula de chumbo dentro de um equipamento de radioterapia abandonado. O pó azulado no interior da peça, que tinha aparência brilhante no escuro, chamando a atenção, era o césio-137.Quantidades significativas do material radioativo também foram expostas ao ambiente nas explosões das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. O mesmo aconteceu nos desastres nucleares de Chernobyl (1986) e Fukushima (2011).Curtiu o conteúdo? Siga no TecMundo e saiba como estão os sobreviventes do caso ocorrido na capital goiana.