Com a renúncia do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e a votação de terça-feira (24), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o tornou inelegível, fica a dúvida: quem vai governar o estado do RJ?Com a saída de Castro, quem assume interinamente o estado é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Essa situação ocorre porque o vice-governador, Thiago Pampolha, que assumiu um cargo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) saiu em 2025 e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), também se tornou inelegível após votação no TSE.Antes da votação desta terça, Bacellar havia renovado o pedido de licença do mandato. Ele não exercia o cargo desde 10 de dezembro do ano passado, porque foi preso durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), em 3 de dezembro.O parlamentar teria vazado informações sigilosas sobre a investigação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do Rio de Janeiro.Mensagens interceptadas pelos investigadores fundamentaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para prender e afastar Bacellar da presidência da Alerj.Pela legislação, o presidente do TJRJ deverá organizar em dois dias uma eleição indireta para que os 70 deputados estaduais escolham em 30 dias um indicado para comandar o governo durante um mandato-tampão, até a escolha do próximo governador nas eleições de outubro.InelegívelO TSE votou na terça-feira para tornar Cláudio Castro inelegível por 8 anos. O placar foi de 5 a 2 pela condenação. Ele é acusado de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com a maioria, o ex-governador do Rio de Janeiro está inelegível até 2030, o que impede que ele dispute o Senado nas eleições deste ano.Votaram a favor as ministras Estela Aranha, Isabel Gallotti, Cármen Lúcia e os ministros Floriano de Azevedo Marques e Antônio Carlos Ferreira. Os ministros Kássio Nunes Marques e André Mendonça divergiram e votaram para absolver Castro. Nunes Marques entendeu que não foram apresentadas provas suficientes para a condenação. Já André Mendonça entendeu que a prática de abuso de poder político e econômico foi comprovada, mas ponderou que não há provas suficientes sobre a participação do ex-governador no esquema.O ministro votou para declarar a inelegibilidade apenas de Rodrigo Bacellar.‘Inconformismo’Castro usou as redes sociais para comentar a decisão do TSE. Ele diz ter recebido a notícia com ‘inconformismo’ e que tem plena convicção de que sempre governou o Rio de Janeiro dentro da legalidade “com responsabilidade e absoluto compromisso com a população”. “Hoje, vai contra a vontade soberana dos quase 5 milhões de eleitores fluminenses”, escreveu.Tenho plena convicção de que sempre governei o Rio de Janeiro dentro da legalidade, com responsabilidade e absoluto compromisso com a população.Recebo com grande inconformismo a decisão que, hoje, vai contra a vontade soberana dos quase 5 milhões de eleitores fluminenses (…)— Cláudio Castro (@claudiocastroRJ) March 25, 2026 *Com informações da Agência Brasil