Pelo menos 70 pessoas foram mortas e 30 ficaram feridas durante um ataque na região de Artibonite, no Haiti, informou um grupo de direitos humanos nesta segunda-feira (30), número significativamente maior do que as estimativas oficiais.O número de mortos divulgado pelo grupo Coletivo em Defesa dos Direitos Humanos supera em muito os números fornecidos anteriormente pelas autoridades. A polícia inicialmente relatou 16 mortos e 10 feridos, enquanto um relatório preliminar da Defesa Civil indicava 17 mortos e 19 feridos.Um porta-voz do Secretário-Geral da ONU disse a jornalistas nesta segunda-feira, durante uma coletiva de imprensa, que condenava veementemente o ataque de gangues, cujas estimativas de mortos variavam de 10 a 80 pessoas. Leia mais Governo Trump promove passagem limitada em Ormuz como gesto diplomático Israel ataca o “coração de Teerã” em nova onda de ataques Instalações nucleares estão sob monitoramento rigoroso, afirma Irã O porta-voz afirmou que a violência ressalta a gravidade da situação de segurança no país e pediu uma investigação completa.O grupo Coletivo em Defesa dos Direitos Humanos disse que o “massacre” forçou quase 6 mil pessoas a fugirem de suas casas.“A falta de uma resposta de segurança e o abandono de Artibonite a grupos armados demonstram uma completa abdicação de responsabilidade por parte das autoridades”, afirmou o grupo em comunicado.Membros armados da gangue Gran Grif atacaram a área de Jean-Denis por volta das 3h da manhã de domingo (29), informaram as autoridades locais de proteção civil.O ataque ocorreu após relatos das Nações Unidas de que mais de 2 mil pessoas foram recentemente deslocadas por ofensivas na cidade vizinha de Verrettes, o que levou moradores de Petite-Rivière a fugirem de suas casas.O departamento de Artibonite, uma importante região agrícola, tem sido palco de alguns dos piores episódios de violência no Haiti, à medida que o conflito entre gangues se espalha para além da capital, Porto Príncipe.Em março, os EUA ofereceram uma recompensa de até US$ 3 milhões por informações sobre as atividades financeiras dos grupos Gran Grif e Viv Ansan. Washington designou ambos, que representam coalizões de centenas de gangues, como organizações terroristas.As forças de segurança haitianas, apoiadas por uma missão internacional com respaldo da ONU e por uma empresa militar privada americana, intensificaram as operações contra as gangues que controlam grande parte da capital. No entanto, as autoridades ainda não prenderam nenhum líder importante de gangue.Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas pelo conflito com as gangues, o que agravou a insegurança alimentar, e cerca de 20 mil pessoas foram mortas no Haiti desde 2021. O número de mortos tem aumentado a cada ano.