Doze trabalhadores rurais foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda em Angatuba, no interior de São Paulo. O trabalho seria na colheita de laranja, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). Procuradores, policiais militares e auditores fiscais do trabalho estiveram na operação, que ocorreu na última quinta-feira (26), que também contou com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itapetininga.Segundo as autoridades, o grupo formado por trabalhadores vindos do Nordeste estava alojado em duas casas precárias, sem acesso a água potável, camas ou condições mínimas de higiene. Parte deles dormia no chão, sobre colchões deteriorados, em meio a lixo e instalações elétricas expostas.Também foram identificados problemas graves nos banheiros e no armazenamento de gás de cozinha, conforme descreveu a nota do Ministério. Leia mais Fábrica da Adama em Israel sofre danos limitados e suspende operações BNDES aprova R$ 411,4 milhões para a Suzano ampliar fábrica Descompasso marca o mercado de feijão no brasil Os trabalhadores haviam sido recrutados para a colheita de laranja por um intermediário, conhecido como “gato”, que também era responsável pelos alojamentos. Nenhum deles teve a carteira de trabalho assinada. De acordo com a investigação, a promessa de pagamento semanal era de cerca de R$ 750, mas havia descontos considerados ilegais por moradia e alimentação.A operação identificou que, após o fim da colheita, em 18 de março, o grupo deixou de receber alimentos e ficou sem recursos para se manter ou retornar aos estados de origem. Em situação de vulnerabilidade, os trabalhadores procuraram ajuda no Ministério do Trabalho em Itapetininga, o que deu início às apurações.Durante a operação, foi proposta a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), que previa o pagamento das verbas rescisórias, indenizações e o custeio do retorno dos trabalhadores. O acordo foi recusado pelo proprietário da fazenda.O valor devido aos trabalhadores soma cerca de R$ 126 mil. O MPT também solicita indenização de R$ 20 mil por trabalhador por danos morais individuais, além de R$ 1 milhão por dano moral coletivo. Em caso de nova recusa, o órgão deve acionar a Justiça e pedir o bloqueio de bens para garantir o pagamento.Após o resgate, os trabalhadores relataram ameaças por parte do intermediário. Diante do risco, eles foram transferidos para Itapetininga sob acompanhamento das autoridades.