O Irã está pressionando os houthis para que se preparem para uma nova campanha contra o transporte marítimo no Mar Vermelho, condicionada a qualquer nova escalada por parte dos EUA em sua guerra contra a República Islâmica, segundo autoridades europeias familiarizadas com o assunto.Líderes dos houthis, grupo militante baseado no Iêmen e apoiado pelo Irã, estão avaliando opções para uma ação mais agressiva após terem lançado mísseis balísticos contra Israel, disseram essas pessoas, que pediram anonimato por se tratar de assunto sensível.Leia tambémIrã vende petróleo na mesma quantidade e mais caro que um ano atrás, diz pesquisadorRaz Zimmt é diretor do programa de pesquisa sobre o Irã e o Eixo Xiita no Instituto de Estudos de Segurança Nacional de IsraelIrã chama propostas de paz de “irrealistas” e petróleo sobe com ataques com mísseisAs Forças Armadas de Israel disseram que dois drones do Iêmen foram interceptados na segunda-feiraHá divisões dentro da liderança houthi sobre o quão agressivos devem ser e isso foi, em parte, o motivo de o grupo só ter entrado no conflito um mês depois de seu início, disseram essas fontes. Em um anúncio no sábado, os houthis afirmaram que continuariam suas operações militares até que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e seus grupos aliados, incluindo o Hezbollah no Líbano, cessassem. Eles não disseram especificamente que atacariam petroleiros ou outros navios que transitam pelo Mar Vermelho.Autoridades dos EUA e da Arábia Saudita disseram a aliados europeus que acreditam que o grupo quer, por ora, evitar uma escalada maior e ataques contra ativos norte‑americanos e sauditas, segundo essas pessoas.Um porta-voz do governo saudita não respondeu de imediato a um pedido de comentário. Porta-vozes da Casa Branca também não comentaram imediatamente o assunto.Ainda assim, quanto mais a guerra entre EUA e Israel contra o Irã se prolongar, maior a probabilidade de os houthis passarem a mirar o Mar Vermelho, acrescentaram as fontes. Eles disseram ser possível que o grupo islamista adie uma decisão como forma de manter poder de barganha em relação aos EUA.Um dos funcionários afirmou que uma tentativa dos EUA de tomar a Ilha de Kharg — de onde o Irã exporta a maior parte de seu petróleo — poderia levar os houthis a ampliar seus ataques.Qualquer campanha dos houthis contra navios no sul do Mar Vermelho e próximo ao estreito de Bab el-Mandeb desorganizaria ainda mais os mercados globais de energia.Essa rota marítima se tornou crucial após o fechamento efetivo do Estreito de Hormuz pelo Irã desde o início do conflito, no fim de fevereiro. Os preços do petróleo voltaram a subir na segunda-feira, com os futuros do petróleo bruto dos EUA encerrando o pregão acima de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022.Com Hormuz bloqueado, a Arábia Saudita aumentou as exportações de petróleo bruto a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Para navios que seguem dali para a Ásia — a maior compradora do petróleo saudita — o estreito de Bab el-Mandeb é, de longe, a rota mais rápida.A disponibilidade dessa rota alternativa ajudou a limitar a alta nos preços do petróleo.Os houthis praticamente fecharam o sul do Mar Vermelho e o Golfo de Áden à navegação de empresas ocidentais a partir do fim de 2023, quando a guerra em Gaza entre Israel e o Hamas estourou. Os houthis afirmaram que estavam agindo em solidariedade ao grupo palestino, e seus ataques continuaram até o cessar-fogo em Gaza, em outubro.Mas agora os houthis enfrentam decisões complexas sobre seu envolvimento na guerra do Irã, disseram as fontes. Do ponto de vista de Teerã, a ameaça que seu grupo militante aliado representa para as rotas marítimas é mais uma ficha de barganha a ser usada em quaisquer negociações com os EUA, demonstrando ainda mais sua capacidade de perturbar a economia global.Ainda assim, embora o Irã seja o mais importante apoiador dos houthis, eles não agem automaticamente sob comando de Teerã.O grupo tem seus próprios cálculos estratégicos e ficará atento ao risco de provocar uma retaliação dos EUA ou de Israel enquanto ainda se recupera de campanhas de bombardeio anteriores.Os EUA passaram a atacar os houthis a partir de janeiro de 2025, causando danos significativos. Ainda assim, foi uma operação custosa para Washington, e o presidente norte‑americano Donald Trump concordou com uma trégua com o grupo em maio daquele ano.Mesmo sob pressão do Irã, os houthis precisariam justificar a entrada na guerra num momento em que a economia das áreas sob seu controle está em situação muito precária. Cerca de metade da população do Iêmen sofre de fome aguda, segundo as Nações Unidas.Uma facção mais extremista quer realizar ataques mais amplos, enquanto outras figuras mais moderadas resistem a essa estratégia.A decisão de atacar Israel neste fim de semana representou um compromisso entre as facções divididas, disseram as autoridades. O governo israelense não relatou nenhuma baixa decorrente dos mísseis lançados pelos houthis desde o fim de semana.© 2026 Bloomberg L.P.The post Irã pressiona houthis a preparar nova ofensiva contra navios no Mar Vermelho appeared first on InfoMoney.