A escalada nas tensões geopolíticas e aumento nos preços de energia têm concentrado o foco dos investidores nas últimas semanas, mas o ING chama a atenção para outro fator na dinâmica do câmbio: os juros reais na Europa e nos Estados Unidos. Para o chefe de estratégia global de mercados, Chris Turner, a postura dos Bancos Centrais diante de um novo choque inflacionário será mais relevante “do que nunca” para a formação de preços no câmbio. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o euro (EUR) caiu 3% ante o dólar norte-americano (USD). Nesta segunda-feira (30), a moeda europeia fechou a US$ 1,14. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "EURUSD", "EURUSD" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "6038075"} ); Para o estrategista, a reprecificação mais intensa neste mês de uma política monetária mais apertada do Banco Central Europeu (BCE) em relação ao Federal Reserve (Fed), em termos de juros nominais, pode ter oferecido algum suporte ao EUR/USD. Os juros na zona do euro estão 2% ao ano (taxa de depósitos), enquanto nos EUA estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Mas ainda que os diferenciais de juros nominais tenham se direcionado a favor do euro ante o dólar neste mês, na comparação com fevereiro e janeiro, os diferenciais de juros reais caminham na direção oposta. Isso porque, ao ajustar as taxas de juros pelas expectativas de inflação implícitas nos mercados, o diferencial segue apontando vantagem para os Estados Unidos, nas contas do banco holandês. “Nossa principal tese para este ano é que os bancos centrais não estão tão ‘atrasados na curva’ quanto estavam no início de 2022 e que não devemos esperar, especialmente por parte do Fed, um grande ajuste hawkish que exigiria um dólar muito mais forte.” O cenário-base do ING projeta o euro em torno de US$ 1,15 nos próximos meses, sustentado pela retomada dos fluxos de energia no Golfo. No entanto, a persistência de preços de energia elevados — ou ainda mais altos — combinada a um BCE “relutante” em subir juros pode enfraquecer o euro, para US$ 1,12 no final deste ano. 2022 outra vez? Em 2022, quando iniciou a guerra na Ucrânia, a forte exposição da Europa a combustíveis fósseis importados gerou um forte choque de termos de troca para a região, pressionando o euro, enquanto a maior independência energética dos EUA favoreceu o dólar. “Utilizando expectativas de inflação derivadas dos swaps de inflação zero-cupom tanto para o dólar quanto para o euro, podemos ajustar as taxas nominais de swap para obter um diferencial de juros reais. Esse exercício relembra que, em 2022, não foi apenas o choque de termos de troca que pressionou o EUR/USD, mas também a configuração relativa dos juros reais”. Na época, com o choque inflacionário, a valorização do dólar foi reflexo da alta dos juros reais norte-americanos, com o Fed adotando uma postura agressiva para conter a inflação. O movimento foi significativamente mais intenso do que qualquer ajuste observado na política monetária europeia, ampliando o diferencial e fortalecendo o dólar.