O que está em jogo nas eleições parlamentares da Hungria?

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Viktor Orbán, o primeiro-ministro mais longevo da União Europeia, pode perder o poder em uma eleição em 12 de abril, após 16 anos à frente da Hungria, mostram pesquisas de opinião.As apostas dificilmente poderiam ser maiores para o país da Europa Central, com 9,5 milhões de habitantes, e para o tipo de populismo que garantiu a Orbán tanto muitos apoiadores quanto muitos críticos na Europa e além.Por que o domínio de Orbán está sob ameaça?Orbán venceu as quatro últimas eleições por ampla vantagem, em grande parte devido a uma oposição fragmentada e fraca.No entanto, Peter Magyar, um ex-aliado, rompeu esse status quo em 2024 com o lançamento de seu partido de centro-direita, Tisza, que rapidamente ganhou popularidade. O partido rejeitou alianças com qualquer outra força política e lidera a maioria das pesquisas com ampla vantagem.Magyar, de 45 anos, é especialmente popular entre eleitores com menos de 40 anos e nas áreas urbanas, mas sua campanha de base também o levou ao coração rural do Fidesz, onde o apoio a Orbán é mais forte.O crescimento do Tisza coincidiu com três anos de estagnação econômica, após o maior choque inflacionário desde a década de 1990. Isso, junto ao enriquecimento e aos excessos de oligarcas próximos ao governo de Orbán, azedou o sentimento público.Magyar espera aproveitar esse descontentamento na eleição de abril, que alguns institutos de pesquisa dizem poder registrar uma participação recorde de eleitores, acima de 80%.Qual o legado que Orbán está defendendo? Leia Mais Rubio visita Europa Oriental e mira laço com líderes pró-Trump Milhares de húngaros protestam contra proibição da Parada LGBT+ Em meio à visita de Netanyahu, Hungria afirma estar se retirando do TPI Orbán, de 62 anos, transformou a Hungria, membro da UE (União Europeia) desde 2004, em um campo de testes para o que ele chama de “democracia cristã iliberal”, rejeitando o multiculturalismo e a imigração, e se apresentando como defensor dos valores familiares tradicionais contra o liberalismo ocidental.Durante a crise migratória na Europa em 2015, Orbán construiu uma cerca na fronteira para impedir que refugiados entrassem ilegalmente na Hungria, aumentando sua popularidade interna.Os quatro governos consecutivos que liderou desde 2010 restringiram a mídia independente e entraram em conflito com Bruxelas sobre diversas políticas, incluindo migração, erosão dos direitos LGBTQ+ e, mais recentemente, ajuda financeira à Ucrânia.Orbán tem colocado a eleição como uma escolha clara entre “guerra ou paz”, afirmando que seu oponente de centro-direita arrastaria a Hungria para a guerra que acontece ao lado, na Ucrânia — uma alegação que a oposição negou veementemente.O que pode mudar se a oposição ganhar?Orbán, que manteve laços próximos com o Kremlin apesar da invasão em larga escala da Rússia à Ucrânia, tem sido uma força motriz para populistas de direita na Europa e se tornou uma figura profundamente polarizadora em Bruxelas, mais recentemente ao bloquear um empréstimo de 90 bilhões de euros para Kyiv.Espera-se que Magyar seja mais construtivo nas relações com a UE e a Otan, mas ele não deve se afastar da posição de Orbán em algumas questões-chave, como o Pacto de Migração da UE, disseram analistas.Ele prometeu tomar medidas firmes para conter a corrupção. Também afirmou que a Hungria se juntaria ao escritório do procurador da UE, um passo rejeitado por Orbán.Quando questionado sobre sua abordagem em relação à Rússia, Magyar disse à Reuters que agiria de forma “pragmática”.Magyar afirmou que o Tisza aumentaria a independência da mídia pública e do judiciário e ampliaria a transparência em licitações públicas. O partido também buscaria um limite de dois mandatos para primeiros-ministros. Ele disse que o Tisza reduziria a intervenção estatal na economia e melhoraria os sistemas público de saúde e educação.Os mercados financeiros observarão de perto se a votação resultará em um governo mais pró-europeu e se Magyar — se eleito — poderá desbloquear bilhões de euros em fundos da UE suspensos devido a preocupações sobre padrões democráticos sob Orbán.