Gilson Finkelsztain: quem é o novo presidente do Santander Brasil

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Depois de quase quatro anos no comando do Santander Brasil, Mario Leão deixará a presidência da instituição, abrindo espaço para a chegada de Gilson Finkelsztain ao cargo. O executivo, que atualmente lidera a B3, não é um nome estranho à casa: já teve passagem pelo próprio Santander, em áreas ligadas a mercados e produtos.O movimento marca uma tentativa do banco de entrar em uma nova fase, com foco em melhorar a execução e dar mais consistência aos resultados, sem necessariamente mudar a direção estratégica. Na avaliação de analistas, o Santander ainda enfrenta desafios para sustentar níveis de rentabilidade e eficiência próximos aos de seus principais concorrentes, o que reforça a leitura de que a escolha recai sobre um perfil voltado à disciplina operacional e à organização da casa.Quem é Gilson FinkelsztainGilson Finkelsztain é engenheiro de formação, com graduação em Engenharia Civil de Produção pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ao longo da carreira, também participou de programas de formação executiva no exterior, incluindo o Advanced Management Program (AMP) do INSEAD, uma das principais escolas de negócios da Europa.Antes de ganhar projeção no comando da B3, construiu sua base profissional no mercado financeiro, iniciando a carreira em grandes instituições globais e passando por diferentes áreas. Essa trajetória ajuda a explicar o perfil técnico que marcaria sua carreira: Finkelsztain se especializou em áreas de mercado de capitais e produtos financeiros complexos, com atuação próxima a tesourarias, estruturação e negociação de ativos. A combinação de experiências seria central em sua atuação à frente de empresas de infraestrutura financeira mais tarde.Trajetória profissionalEm cerca de duas décadas, Gilson Finkelsztain passou por grandes instituições internacionais, como Citibank, J.P. Morgan e Bank of America Merrill Lynch. Nesse período, atuou em áreas ligadas a renda fixa, câmbio, commodities, derivativos e relacionamento com clientes institucionais, com foco em atividades mais técnicas, como formação de preços, gestão de risco e estruturação de produtos financeiros.Entre 2011 e 2013, passou pelo Santander, onde ocupou posições de liderança em áreas de renda fixa, moedas e commodities. Foi nesse período que ele se tornou membro do conselho de administração da Cetip (Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados), a maior depositária de títulos privados de renda fixa da América Latina.Em 2013, deixou o Santander para assumir o comando da Cetip. À frente da companhia, esteve envolvido na operação e no desenvolvimento de sistemas que dão suporte ao funcionamento do mercado financeiro, além de participar do processo que resultou na fusão com a BM&FBovespa, que deu origem à B3.Fusão e consolidação da B3Com a fusão entre a Cetip e a BM&FBovespa, concluída em 2017, Gilson Finkelsztain assumiu o comando da B3 já como CEO da nova companhia. A partir daí, conduziu um processo de reorganização e expansão do modelo de negócios, em um momento de mudanças relevantes no mercado de capitais brasileiro.Ao longo desse período, a B3 ampliou seu escopo de atuação para além da negociação de ações. A companhia avançou em áreas como renda fixa, derivativos, registro e custódia, além de desenvolver frentes ligadas a dados e tecnologia. Em comunicado recente, a própria B3 afirma que passou por uma “transformação profunda em seu modelo de negócios”.Na prática, esse movimento reduziu a dependência de receitas mais diretamente ligadas ao volume negociado em bolsa, tradicionalmente mais sensível ao ciclo econômico, e abriu espaço para fontes mais diversificadas de receita.Na oferta de produtos, o período trouxe a expansão de instrumentos acessíveis ao investidor, como ETFs, BDRs e fundos imobiliários, além do fortalecimento de mercados já existentes, como o de derivativos e renda fixa.Esse reposicionamento ocorreu em paralelo a um cenário mais desafiador para o mercado de ações brasileiro, marcado por anos de baixa atividade em IPOs e menor dinamismo nas listagens. Nesse contexto, a diversificação ajudou a sustentar o crescimento da companhia mesmo fora dos ciclos mais favoráveis da bolsa.Entre 2017 e 2026, a B3 mais que dobrou sua receita e ampliou a distribuição de resultados aos acionistas, ao mesmo tempo em que diversificou suas fontes de receita.O que esperar do novo desafio no Santander BrasilA chegada de Gilson Finkelsztain ao Santander Brasil ocorre em um momento em que o banco busca melhorar a execução e dar mais consistência aos resultados, especialmente após um período de rentabilidade mais volátil.Na avaliação de analistas, o principal desafio está menos em crescer e mais em sustentar esse crescimento com eficiência. O banco ainda precisa avançar em disciplina operacional e consistência na rentabilidade, sobretudo na comparação com pares como o Itaú Unibanco.Ao comentar a saída do executivo, a B3 afirmou que sua gestão deixou uma companhia “mais diversificada e resiliente”, destacando também a transformação no modelo de negócios ao longo do período.Agora, o desafio parece ser o de levar essa experiência para uma operação mais complexa e diretamente exposta ao ciclo de crédito, mantendo o equilíbrio entre crescimento, risco e rentabilidade.The post Gilson Finkelsztain: quem é o novo presidente do Santander Brasil appeared first on InfoMoney.