GDF tentou usar TCU para contornar BC e permitir compra do Master pelo BRB

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O GDF (governo do Distrito Federal) tentou atuar no TCU (Tribunal de Contas da União) para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília) – mesmo diante de evidências de fraudes na instituição. A informação consta em documentos obtidos pela CNN Brasil.Segundo autos da área técnica do TCU, o GDF tentou intervir no processo em dois momentos.O primeiro aconteceu em 2 de setembro de 2025, quando o BC (Banco Central) ainda avaliava a compra do Master pelo BRB. Por meio de sua procuradoria-geral, o GDF cobrava celeridade na análise e alegava que uma “demora” poderia se converter em “omissão administrativa” e comprometer a “segurança jurídica do negócio”. Leia Mais Após MP do IOF, projeto isenta títulos de investimentos do imposto Governo quer baixar preço do diesel artificialmente, diz diretor do CBIE Ministro do TCU determinou inspeção no BC dias após pedidos de Vorcaro “A petição ignorava que o prazo alongado decorria das sucessivas deficiências instrucionais apresentadas pelos próprios interessados e das múltiplas oportunidades de saneamento concedidas pela autarquia”, analisa AudBancos, área técnica do TCU voltada ao tema.O segundo momento se deu após o BC barrar a operação. No dia 3 de setembro, o GDF protocolou um pedido de liminar urgente ao TCU para “suspender de forma imediata e integral” os efeitos das deliberações da autoridade monetária.O GDF ainda voltou a requerer, no mesmo dia, “a suspensão liminar da decisão do Banco Central do Brasil” até que houvesse “análise derradeira dessa Corte de Contas”.A área técnica do TCU indica que com essa “insistência” o GDF visava usar o Tribunal “como uma espécie de via recursal inadequada” para contornar decisão do BC. E isso, diante das irregularidades detectadas, indicaria um “potencial descolamento entre a gestão e os princípios constitucionais da Administração Pública”.Por Lucinda Pinto: Alta do petróleo impacta indústria petroquímica | FECHAMENTO DE MERCADO“A conduta dos administradores do BRB e do seu controlador, o Distrito Federal, ao insistir na concretização de uma operação potencialmente lesiva ao patrimônio público, mesmo após múltiplas advertências técnicas e com indícios de fraudes prévias, configura, em tese, violação aos deveres de diligência, probidade e proteção ao erário que norteiam a gestão de empresas públicas”.“A tentativa de aquisição de um banco insolvente, com ativos aparentemente insubsistentes e potenciais passivos ocultos bilionários, sem diligence adequada e baseada em projeções inconsistentes, representava risco de causar prejuízo de dezenas de bilhões de reais ao patrimônio do Distrito Federal e de comprometer a solidez de uma instituição financeira pública que atende milhares de cidadãos”, completou a análise.A CNN Brasil procurou o GDF, o BRB e o TCU para que comentassem o caso. Não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil