Direita se opõe a PL que equipara misogina a racismo; Flavio votou a favor

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O Senado aprovou nesta terça-feira (24) um projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo. A decisão, na prática, implica que o ódio ou aversão a mulheres passa a ser tratado como crime grave.Atualmente, o ato costuma ser enquadrado como injúria ou difamação, com penas de dois meses a um ano. Agora, se o projeto mudar a lei, o tempo de reclusão será de dois a cinco anos, além de multa.Nas redes sociais, alguns parlamentares de direita se manifestaram contra a proposta. Apesar disso, nomes fortes da oposição, como o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, votaram a favor da mudança. Nikolas Ferreira (PL-MG) chamou o projeto de “inacreditável” e “aberração”, além de afirmar que trabalharia para derrubar a decisão.Inacreditável é a palavra…Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado.— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) March 25, 2026Mario Frias (PL-SP), deputado federal, escreveu que o projeto é uma “mordaça ideologica”, que será usada para classificar “qualquer tipo de crítica, postura firme ou simples desentendimento com a mulher” como um crime de racismo. Também afirmou que o PL tenta criminalizar o homem “por ser homem”.A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) escreveu que o projeto não foi feito “contra homens ou mulheres”, e sim que parte de uma agenda “para corroer o vínculo entre ambos e dissolver a família.”Faltou combinar com os senadoresDurante a votação no Senado na noite passada, o PL, que é de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSD-MA) e relatado por Soraya Thronicke (Podemos-MS), foi aprovado com 67 votos a favor, dos 68 presentes na sessão.Apesar das manifestações nas redes sociais de deputados, a maioria dos senadores de oposição votou a favor do texto.Damares Alves (Republicanos-DF), outro nome forte da oposição, também votou a favor, apesar de criticar o projeto. Ela disse que o PL preocupa, porque poderia violar a liberdade de expressão dos políticos, e que ela mesma responde a um processo por misoginia.Sergio Moro (União-PR) também se posicionou favoravelmente, mas criticou o texto em entrevista à Jovem Pan nesta manhã. “Projeto mal construído. A liberdade de expressão está de fato em risco no país e, infelizmente, o que nós vimos ontem é que não existia nenhuma margem para que ele fosse nem rejeitado, nem alterado”, disse.Também afirmou que a oposição tentou protocolar uma emenda para deixar o projeto mais claro, mas que não foi aprovada.  O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados, e, caso seja aprovado sem alterações, seguirá para a sanção do presidente Lula (PT).