Foto: Criada via Chat GPTUm rei abandonado por muitos de seus súditos e trocado por um bandido, coroado de espinhos e zombado pelos algozes. Também a multidão que acompanhava o seu suplício, insuflada pelos que o odiavam, escarnecia d’Ele. Mal sabiam, miseráveis pecadores, que para além da indecência e da imoralidade de condenar um inocente, estavam condenando o Rei da Glória, aquele que desceu do esplendor do Céus para habitar em meio à imundície da humanidade e resgatá-la, por puro amor.A coroação de Jesus só não é mencionada no Evangelho de São Lucas. São Mateus (cap. 27, vv. 27-30), São Marcos (cap. 15, vv. 16-19) e São João (cap. 19, vv. 1-3) têm narrativas semelhantes: a coroa imposta na cabeça, os golpes, os cuspes e a zombaria. Quanto sofrimento!… O Rei da Glória poderia convocar a multidão de seus Anjos para, a uma só ordem, varrer todos os malfeitores dali. Mas não: Ele aceitou sofrer mansa, obediente e pacientemente.Em seu livro “A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, cuja leitura é altamente recomendada na Quaresma, Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787) escreve: “Ah, espinhos cruéis, ingratas criaturas, por que atormentais de tal maneira o vosso Criador? Mas que adianta acusar os espinhos? diz S. Agostinho. Eles foram instrumentos inocentes: nossos pecados, nossos maus pensamentos foram os espinhos cruéis que atravessaram a cabeça de Jesus Cristo. Aparecendo um dia Jesus a Santa Teresa, coroado de espinhos, a santa pôs-se a pranteá-lo. Disse-lhe, porém, o Senhor: Teresa, não te deves compadecer das feridas que me fizeram os espinhos dos judeus, apieda-te antes das chagas que me fazem os pecados dos cristãos”.Assim, pobres os pecadores que maltrataram o Corpo sacrossanto do Senhor, zombaram d’Ele e recusaram o seu reinado de amor, paz e plenitude, mas pobre de toda a humanidade, que com seus pecados também o ofende… Não fosse a imensidão da misericórdia divina, estaríamos perdidos!… A Paixão de Jesus é a prova do seu amor infinito, e seu sofrimento e seu Sangue derramado foram o preço do nosso resgate!Que a contemplação de Jesus coroado de espinhos e desfigurado nos leve a uma firme decisão: constrangidos e compungidos na alma, façamos todo o possível, a cada dia, para deixar de coroá-lo com os espinhos dos nossos pecados e assumi-lo como Rei, oferecendo-lhe as boas obras da fé, do amor, da paciência e do perdão!O post Mistérios dolorosos apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.