Oncoclínicas (ONCO3): O que está por trás da disparada de quase 70% nesta segunda-feira (23)?

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As ações da Oncoclínicas (ONCO3) dispararam quase 70% no pregão desta segunda-feira (23), após o Fleury (FLRY3) se unir à Porto Seguro (PSSA3) em uma potencial transação que pode dar fôlego financeiro para a rede de tratamentos oncológicos. Mais cedo, o Fleury informou ao mercado que aderiu ao termo de compromisso não vinculante originalmente assinado pelas outras duas e que estabelece o direcionamento para uma potencial operação entre as companhias.Na última semana, a Oncoclínicas e a Porto já haviam firmado um acordo para a constituição de uma empresa, conforme comunicado ao mercado, em meio à pressão financeira que a rede de serviços oncológicos enfrenta.Já de acordo com o fato relevante desta segunda-feira (23), a Fleury assinou um aditivo ao termo. “Term sheet” é um documento de natureza preliminar e não vinculante.Por volta de 16h30 (horário de Brasília), as ações ONCO3 disparavam 63,46%, a R$ 2,55. Acompanhe o tempo real. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "ONCO3", "ONCO3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "5472eca"} ); O Bradesco BBI aponta dois principais motivos que tornam a notícia positiva para a Oncoclínicas — e que ajudam a explicar a alta desta segunda. O primeiro deles é a posição do Fleury como um prestador ambulatorial de alto nível e líder de mercado, o que fortalece a reputação médica e o conhecimento de negócios da Oncoclínicas para administrar a empresa, além de melhorar a governança junto com a Porto Seguro.Somado a isso, os analistas avaliam que acordo reduz o risco de uma grande deterioração do nível de serviço, já que dois dos seus três maiores pagadores estão, indiretamente ou diretamente, investindo na empresa. O Bradesco e a Porto representam cerca de 10% e 7% das receitas da Oncoclínicas, respectivamente.Do outro lado, a análise enxerga que a redução da alavancagem decorrente da injeção de capital de R$ 500 milhões é relativamente pequena: de 17% para R$ 2,38 bilhões, ou 3,6 vezes a Relação dívida líquida/Ebitda anualizado do 3º trimestre.O desenho da potencial operação O termo prevê que a Oncoclínicas aportaria para a nova empresa os ativos e operações que detém relacionadas às clínicas oncológicas, bem como endividamentos e passivos no valor total de, no máximo, R$ 2,5 bilhões.Já Fleury e Porto investiriam, em conjunto, R$ 500 milhões na nova companhia por meio de uma holding, da qual seriam os únicos acionistas, e por meio da qual passariam a deter o controle da empresa.Essa nova empresa emitiria debêntures voluntariamente conversíveis em ações ordinárias de sua emissão (debêntures conversíveis), que seriam subscritas pela holding, pela Porto ou pela Fleury, observado que a Oncoclínicas teria o direito de também subscrever debêntures conversíveis até o limite de 30% do volume total.Por fim, as debêntures conversíveis teriam o valor total de R$ 500 milhões, com vencimento em 48 meses do seu desembolso e remuneração equivalente a 110% do CDI, sendo que a conversão poderia ser solicitada a partir do 36º mês da data de emissão, ou se verificado um evento de liquidez da NewCo.Toda a estrutura da potencial operação está sujeita a alguns aspectos, que são:Obtenção das aprovações internas necessárias por Fleury, Porto e Oncoclínicas;Realização de uma auditoria na Oncoclínicas, com resultados satisfatórios ao Fleury e à Porto;A assinatura dos documentos vinculantes estabelecendo as bases definitivas da potencial operação (documentos definitivos).O Itaú BBA pondera que a execução das negociações provavelmente será um fator-chave a ser monitorado. Na visão dos analistas, em primeiro lugar, a conclusão da due diligence segue como um marco importante, e a estrutura final e a viabilidade da transação dependerão de diversos fatores, incluindo o alinhamento entre as partes envolvidas.Além disso, a potencial migração de clínicas de oncologia para a nova empresa pode exigir novos acordos de credenciamento com operadoras de saúde e colocar em risco acordos de exclusividade atualmente detidos pela Oncoclínicas.Para o BBA, esse fator pode ser um desafio, considerando o ambiente mais adverso observado atualmente no setor.“Por fim, algumas incertezas ainda impedem uma avaliação mais clara da transação. Primeiro, ainda não se sabe quanto do Ebitda da Oncoclínicas será transferido para a NewCo, nem se esse valor poderá ser parcialmente impactado pela eventual perda de acordos de credenciamento atuais”, dizem os analistas. O BBA acrescenta ainda que a avaliação implícita da transação permanece desconhecida, especialmente no que diz respeito à participação correspondente ao investimento conjunto de R$ 500 milhões.