O advogado da família da PM Gisele Alves Santana, encontrada morta em seu apartamento em fevereiro deste ano, publicou um vídeo nas redes sociais, nesta segunda-feira (23), pedindo que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto seja demitido do cargo.“Exijo do senhor secretário de segurança do comando geral do policiamento, que instaure um procedimento chamado CJ (Conselho de Justificação), que utilize a via rápida e demita imediatamente esse senhor que ostenta ainda a patente de tenente-coronel”, afirmou José Miguel Jr. Silva. José Miguel argumenta ainda que existe uma separação entre a esfera penal (Justiça) e a administrativa (Polícia Militar), e que portanto, mesmo antes do julgamento final, a corporação pode punir administrativamente. Leia Mais Veja o que disse tenente-coronel em audiência de custódia após morte de PM "Fazia para me provocar", disse tenente-coronel sobre esposa seguir homens STJ rejeita pedido para soltar oficial da PM acusado de matar esposa em SP Geraldo se tornou réu e é investigado pelo feminicídio da PM Gisele, sua esposa.A CNN entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e aguarda retorno.Entenda o casoA soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi indiciado pela Polícia Civil e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.Delegado do caso envolvendo PM morta por tenente-coronel fala à CNN | AGORA CNNA mudança de rumo na investigação ocorreu após a análise de laudos periciais, depoimentos e evidências extraídas de dispositivos eletrônicos.Segundo relatório da Polícia Civil e denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), há um conjunto consistente de elementos que afastam completamente a hipótese de suicídio.Entre os pontos centrais estão contradições do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais claros de violência anterior à morte.De acordo com a versão apresentada pelo tenente-coronel, ele teria ouvido o tiro poucos instantes após sair do quarto da esposa.O exame necroscópico confirmou que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça da vítima, em trajetória incompatível com um tiro autoinfligido.Além disso, peritos encontraram lesões no rosto e no pescoço, incluindo marcas de dedos e arranhões, indicando que Gisele foi imobilizada antes de ser morta. Hematomas na região dos olhos também apontam para agressões anteriores ou simultâneas ao disparo.Veja detalhes do feminicídioA abordagem, contenção da vítima e disparo contra cabeça de Gisele pode ser descrita em quatro atos, segundo laudo.De acordo com os peritos da Polícia Científica de São Paulo, o tenente-coronel abordou a vítima no interior da residência. A abordagem ocorre por trás, pegando Gisele de surpresa. Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 1 de 6 De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28 • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem 2 de 6 A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça • Reprodução Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 3 de 6 A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 4 de 6 Após isso, Geraldo Neto atirou contra o lado direito do crânio da PM Gisele Alves Santana, segundo o MP • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem 5 de 6 Imagens mostram as marcas das agressões sofridas por Gisele no dia da morte • Reprodução Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 6 de 6 O Ministério Público também sustenta que houve demora no acionamento do socorro. Conforme a acusação, o policial só teria chamado ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que teria alterado o local dos fatos • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem visualização default visualização full visualização gridGeraldo teria imobilizado a vítima, agarrando-a pelas costas. Gisele tentou se desvencilhar do ataque. Nesse momento, o suspeito empunha uma arma de fogo próxima à cabeça dela.O laudo identificou lesões compatíveis com pressão de dedos na parte de baixo do rosto da PM e na lateral direita do pescoço. Também foi encontrada uma marca superficial de unha.Para os peritos, essas marcas indicam que houve uma luta corporal ou tentativa de esganadura antes do disparo fatal.