Petrobras não considera novo aumento no diesel, dizem fontes

Wait 5 sec.

A Petrobras não considera, no curtíssimo prazo, um novo aumento no preço do diesel, a despeito do prolongamento da guerra e seus impactos sobre o preço do barril do petróleo, disseram à Reuters três fontes da empresa com conhecimento das discussões.A ideia da Petrobras é manter a estratégia de não repassar automaticamente volatilidades e instabilidades geopolíticas para o consumidor brasileiro, ainda que agentes privados do setor de combustíveis pressionem por um reajuste da estatal, que poderia amenizar a defasagem em relação à cotação externa, viabilizando importações que complementam o suprimento do país.“Não tem nada no radar para os próximos dias”, disse uma das fontes. “A gente está sempre monitorando, mas não tem que ser toma lá, dá cá. A empresa vai sempre defender os interesses dos acionistas sem penalizar o consumidor”, adicionou uma segunda fonte.Nesta segunda-feira, o mercado deu mostras de como está volátil desde o início da guerra. O preço do barril do petróleo Brent operava em baixa de mais de 10% por volta do meio-dia (horário de Brasília), com o mercado reagindo a fala do presidente dos EUA, Donald Trump, de que ele adiaria qualquer ataque militar a plantas de energia do Irã por cinco dias após conversações construtivas, horas antes do prazo final que ameaçava escalar o conflito. Leia Mais Justiça concede autorização ao C6 Bank para ofertar crédito consignado Embraer: Finnair assina acordo para compra de até 46 aeronaves E195-E2 Fleury se une com Porto Seguro e Oncoclínicas e discutem nova empresa No dia 14 de março, a estatal aumentou o preço do diesel em 11,6%, após o governo anunciar um pacote de medidas para enfrentar os efeitos da crise sobre os preços do Brent e derivados, como a isenção de PIS e Cofins e um programa de subvenção a diesel.Mas isso, segundo importadores, não foi suficiente para resolver a defasagem, que havia superado 80%, antes de o petróleo despencar mais de 10% nesta segunda-feira.As pessoas na Petrobras, que falaram na condição de anonimato devido à sensibilidade do tema, explicaram que a equação de preços da Petrobras não obriga a internalização imediata de altas ou baixas de preços em momentos de choque de oferta ou demanda.Esse modelo vem sendo seguido desde o início do conflito dos EUA e Israel contra o Irã.Ainda assim, agentes do mercado têm apontado que a situação conta com algumas excepcionalidades, considerando o forte consumo brasileiro e a retração da oferta importada de diesel, que responde por cerca de 25% do consumo no país.A própria agência reguladora ANP, em relatório publicado na noite de sexta-feira, afirmou que o abastecimento nacional de combustíveis se encontra sob “situação excepcional de risco”, caracterizada por retração relevante da oferta importada; pressão elevada e disseminada sobre a demanda interna; dificuldade de recomposição de estoques na distribuição; manutenção de estoques no produtor em patamar incompatível com a pressão observada na ponta, entre outros fatores.Procurada, a assessoria de imprensa da Petrobras não comentou o assunto imediatamente.Guerra no Irã eleva custos e afeta suprimentos, afirma Isadora Cohen | MONEY NEWSConceito da médiaO reajuste de R$ 0,38 por litro de diesel da Petrobras em meados do mês veio só depois de mais de duas semanas de guerra e preços muito acima dos praticados antes do conflito, quando o petróleo “lutava” para chegar aos US$ 70 o barril. Nesta segunda-feira, operava um pouco abaixo de US$ 100, após bater US$ 96 na mínima da sessão.“O conceito com o qual se trabalha é de média. O que importa é que os preços estejam na média do ano, dentro dos parâmetros, e não obrigatoriamente do dia, da semana ou do mês. Ou seja, um choque de um determinado momento pode ser diluído ao longo de um ano, sem que haja prejuízo para a companhia, acionistas e sociedade”, ressaltou uma das fontes.A Petrobras afirma que segue a todo vapor com suas refinarias e ampliando o processamento de petróleo no país, com taxas de utilização em torno de 100% da capacidade.A empresa atende 70% do mercado interno de derivados, enquanto os agentes privados respondem por 30%. Leia Mais IEA discute novas liberações de estoques de petróleo, diz diretor-executivo Greve dos caminhoneiros pode impactar vendas, diz Fecomércio MG China limita aumento de combustíveis para lidar com alta do petróleo A ANP cobrou da estatal a ampliação da oferta de combustíveis, algo que não foi bem digerido internamente.“Parece que estão comprando uma lógica do mercado não muito sensata”, afirmou uma das fontes. “Quando o mercado está ganhando dinheiro, não reclama e não fala nada, mas quando as dificuldades aparecem, reclama e põe a culpa na Petrobras, sempre”, adicionou outra fonte.Nesta semana, o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) se reúne para discutir a possibilidade de redução do ICMS sobre combustíveis, o que poderia trazer algum alívio nas bombas, mas a medida ainda encontra resistências em um ano de eleições no país.O pacote do governo anunciado na semana passada também estipula uma taxação da exportação de petróleo. “Se fizer a conta, a alta do petróleo, do ponto de vista financeiro, mais que compensa a taxação da exportação. Taxa nunca é bom para empresas, mas o petróleo saiu de US$ 70 para mais de US$ 100, um ganho de 50% que mais que paga a conta”, adicionou uma das fontes.Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil