A Lace, empresa norueguesa de equipamentos para semicondutores, captou US$ 40 milhões (R$ 209,3 milhões) para desenvolver uma tecnologia que promete transformar a fabricação de chips. A startup, que conta com apoio da Microsoft, anunciou o investimento nesta segunda-feira (23) e apresenta alternativa inovadora aos métodos tradicionais de litografia.O diferencial da empresa está no uso de feixes de átomos de hélio para desenhar circuitos, substituindo a luz utilizada pelos processos convencionais. Essa abordagem permite criar designs de chips até dez vezes menores do que as tecnologias atuais conseguem produzir, segundo Bodil Holst, presidente-executiva da Lace.“Nossa tecnologia é uma maneira de expandir potencialmente o roteiro e ser um facilitador para fazer coisas que não seriam possíveis de outra forma”, explicou Holst à Reuters.Precisão atômica versus métodos tradicionaisA tecnologia da Lace trabalha com uma precisão impressionante;O feixe de átomos de hélio utilizado tem aproximadamente a largura de um único átomo de hidrogênio — apenas 0,1 nanômetro. Para comparação, as ferramentas de litografia da ASML, empresa holandesa que domina o mercado, operam com feixes de luz de 13,5 nanômetros;A diferença de escala fica ainda mais evidente quando consideramos que um fio de cabelo possui cerca de 100 mil nanômetros de largura. Essa precisão extrema permite que a Lace imprima wafers de semicondutores com “resolução atômica”, nas palavras de Holst;John Petersen, diretor científico de litografia do Imec — centro de pesquisa e inovação para o setor de chips — destaca que essa vantagem do feixe de átomos de hélio possibilita criar recursos como transistores em uma ordem de magnitude menor, em um grau “quase inimaginável“.Leia mais:Qual a diferença entre Software e Hardware?Guerra no Irã gera falta de hélio e deixa semicondutores em riscoCo-fundador da Super Micro é acusado de ajudar China a obter chips da NvidiaEssa precisão extrema permite que a Lace imprima wafers de semicondutores com “resolução atômica” (Imagem: asharkyu/Shutterstock)Impacto no desempenho de chips de IAA capacidade de produzir transistores menores e outros componentes em escala reduzida oferece aos fabricantes de chips uma oportunidade única. Com essa tecnologia, seria possível aumentar significativamente o desempenho de processadores avançados de inteligência artificial (IA), superando as capacidades atuais do mercado.Atualmente, gigantes, como TSMC e Intel, dependem dos sistemas de litografia baseados em luz da ASML para produzir chips de última geração. O campo tem atraído crescente interesse de investidores e governos, especialmente com o surgimento de novas startups que buscam competir com a dominância holandesa.Cronograma e investidoresO financiamento de US$ 40 milhões foi liderado pela Atomico, com participação adicional do braço de risco da Microsoft, a M12, Linse Capital, Sociedade Espanhola de Transformação Tecnológica e Nysnø. A Lace optou por não divulgar sua avaliação após esta rodada de investimentos.A empresa já desenvolveu protótipos de seus sistemas e estabeleceu um cronograma ambicioso para os próximos anos. A meta é ter uma ferramenta de teste operando em uma fábrica piloto de chips até 2029, demonstrando a viabilidade comercial da tecnologia.Em fevereiro, a Lace apresentou suas descobertas em um trabalho de pesquisa durante uma reunião de cúpula de litografia científica, consolidando sua posição como uma das promessas mais interessantes do setor de semicondutores.O post Startup apoiada pela Microsoft quer revolucionar fabricação de chips apareceu primeiro em Olhar Digital.