A Azul (AZUL53) apresentou um prejuízo líquido de R$ 1,657 bilhão no quarto trimestre de 2025, uma redução de 58,1% em relação ao prejuízo de R$ 3,95 bilhões registrado no mesmo período de 2024. A aérea, que passa por uma reestruturação, trouxe uma melhora do desempenho operacional, mas seguiu sofrendo com o impacto ainda relevante do resultado financeiro.A receita líquida total somou R$ 5,8 bilhões no trimestre, alta de 4,6% na comparação anual, sustentada por uma demanda resiliente, ajustes na malha aérea e crescimento das receitas auxiliares. O segmento de transporte de passageiros avançou 3,8%, enquanto cargas e outras receitas cresceram 14,5%, com destaque para a operação doméstica de carga.O desempenho operacional foi o principal destaque do período. O lucro operacional atingiu R$ 1,42 bilhão, avanço de 14,7% na base anual, com margem de 24,5% (+2,2 pontos percentuais). Já o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na siga em inglês) foi recorde histórico, somando R$ 2,14 bilhões, alta de 9,6%, com margem de 36,9%.Segundo a companhia, o resultado reflete “a execução disciplinada do plano de negócios” e o impacto positivo de unidades como Azul Fidelidade, Azul Cargo e Azul Viagens, que, segunda ela, seguem ganhando relevância na geração de receita e rentabilidade.Pelo lado dos custos, as despesas operacionais totalizaram R$ 4,4 bilhões, alta de 1,7% em relação ao 4T24. O aumento foi influenciado principalmente pela inflação, maior custo com processos judiciais e crescimento das operações internacionais, parcialmente compensados pela valorização do real e ganhos de eficiência operacional.Entre as linhas, o combustível de aviação subiu 1,2%, enquanto despesas com salários e benefícios caíram 16,5%, refletindo ganhos de produtividade. Já a linha “outros” avançou 35,6%, pressionada por despesas relacionadas a litígios e efeitos da reestruturação.Resultado financeiro ainda pressiona resultado da AzulO resultado financeiro seguiu como principal pressão no lucro. Apesar de melhora relevante, ainda ficou negativo em R$ 3,08 bilhões no trimestre, impactado por despesas financeiras elevadas e variações cambiais.Na visão da companhia, porém, a recente reestruturação deve ainda trazer melhoras para o seu perfil financeiro. Em fevereiro de 2026, a Azul concluiu o processo sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, reduzindo significativamente a alavancagem e fortalecendo a liquidez.A alavancagem líquida caiu de 4,8 vezes no fim de 2025 para menos de 2,5 vezes após a conclusão do processo, com redução relevante da dívida e dos compromissos de arrendamento.“A Azul saiu do processo com um balanço significativamente mais forte, maior geração de caixa e posicionada para crescimento sustentável de longo prazo”, afirmou o CEO John Rodgerson.A liquidez imediata encerrou o trimestre em R$ 3,7 bilhões, alta de 22,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando o caixa após a reestruturação.Do lado operacional, a companhia transportou cerca de 8 milhões de passageiros no trimestre, com taxa de ocupação recorde de 85%, enquanto o RASK (receita por assento-quilômetro disponível) também atingiu máxima histórica, refletindo maior eficiência e precificação.A Azul encerra o ano destacando que, com a estrutura de capital ajustada e menor pressão financeira, entra em 2026 “mais preparada para enfrentar desafios macroeconômicos”, incluindo volatilidade no preço do combustível, mantendo foco em rentabilidade e geração de caixa.