Novas imagens enviadas pelo rover Curiosity mostram que uma de suas rodas está bastante danificada, despertando preocupação na equipe da NASA. O veículo explora Marte há quase 14 anos e continua a enviar informações valiosas sobre o Planeta Vermelho.O rover pousou na Cratera Gale em agosto de 2012, com uma missão planejada para durar dois anos. Desde então, percorreu mais de 36 km e superou amplamente as expectativas iniciais. Mas o tempo e o terreno marciano começaram a cobrar seu preço nas finas rodas de alumínio do equipamento.Selfie do rover Curiosity, da NASA, em Marte. Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSSEm resumo:Curiosity registra novos danos estruturais e preocupa NASA;Rover supera missão inicial e opera há 14 anos;Desgaste causado pela superfície irregular é agravado ao longo dos anos;NASA usa software, rotas seguras e monitoramento constante;Plano extremo propõe usar rochas marcianas para remover parte danificada.Desgaste nas rodas do rover em Marte vem desde 2013O desgaste já era perceptível em 2013 e se intensificou ao longo dos anos. Agora, imagens recentes mostram danos preocupantes na roda central direita. Para monitorar a situação, o rover registra fotos regularmente, permitindo que os engenheiros acompanhem a evolução do problema e planejem ações corretivas.Embora não possa, simplesmente, ir até Marte para trocar as rodas, a NASA tem estratégias para minimizar os danos. A primeira medida foi redirecionar o Curiosity para terrenos menos agressivos, reduzindo a pressão sobre as rodas e retardando a deterioração. Segundo a agência, grande parte do desgaste está relacionada à interação com seixos e pequenas rochas inevitáveis, mais do que ao tipo de terreno.Roda central à direita do rover Curiosity, da NASA, que explora Marte, fotografada em 22 de setembro de 2024. Crédito: NASA / JPL-Caltech / MSSSEm 2017, a NASA atualizou o software do rover e implementou um novo algoritmo de controle de tração. Ele ajusta a velocidade de cada roda com base em dados do sistema de suspensão, evitando derrapagens e melhorando a aderência. Essa tecnologia ajuda a reduzir o impacto do terreno sobre as rodas e prolonga a vida útil do veículo.Leia mais:Anomalia no interior de Marte faz planeta girar mais rápido e diminui duração dos diasPedras preciosas em Marte? Rover faz descoberta inédita com laser no Planeta VermelhoMissão da NASA em Marte pode ter descoberto vida no planeta há 50 anosNASA tem gêmeo do Curiosity na TerraPara situações mais críticas, a equipe tem um gêmeo do Curiosity na Terra, chamado Scarecrow (Espantalho), usado para simular falhas nas rodas e testar soluções. Caso uma roda seja danificada demais, o rover poderia se livrar da parte comprometida e continuar operando. Testes indicam que, mesmo com danos significativos, o Curiosity consegue se mover com segurança, desde que a porção danificada seja descartada.Imagem da roda danificada do Curiosity tirada em 23 de março de 2026. Crédito: NASA /JPL-Caltech/MSSSO método pode parecer drástico, mas é necessário para proteger os cabos internos do rover. Sem essa ação, arrastar uma roda danificada poderia causar falhas elétricas ou mecânicas. Para “cortar” a roda, o Curiosity precisaria usar o que encontra ao redor, ou seja, rochas marcianas, para quebrar a parte que prende a roda.A NASA já treinou essas técnicas com o Scarecrow, utilizando métodos chamados “Manobra de Torção e Grito” e “Manobra de Dedo de Pombo”. A ideia é simples: prender a roda danificada, dirigir com cuidado até que ela se desprenda, e seguir em frente com as rodas restantes.Apesar dos danos recentes parecerem mais sérios do que no passado, ainda não há decisão sobre a aplicação desse procedimento extremo. Por enquanto, o Curiosity continua sua missão normalmente, explorando Marte e ultrapassando em muito sua expectativa inicial de dois anos.Mesmo com os desafios, o rover prova que é possível superar obstáculos em outro planeta, combinando engenharia criativa, software avançado e um pouco de improviso.O post Rover em Marte apresenta novos danos nas rodas e preocupa a NASA apareceu primeiro em Olhar Digital.