O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi acusado de assédio sexual por uma colega de trabalho.De acordo com o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, a policial militar formalizou a denúncia no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e pediu sigilo por medo de sofrer retaliações.Ao Estadão, o advogado afirmou que, na denúncia, a mulher relatou que Neto tentou beijá-la, mas foi rejeitado. Após a negativa, a policial afirma que passou a ser perseguida e foi transferida para outro batalhão, mesmo sem concordar com a mudança.“Ele a transferiu para um lugar bem mais distante de onde ela morava, causando um prejuízo para ela”, disse José Miguel.O episódio teria ocorrido no segundo semestre do ano passado, enquanto Neto ainda era casado com Gisele.Procuradas, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar do Estado de São Paulo não retornaram às tentativas de contato do Estadão. O espaço segue aberto.Caso GiseleGisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava, no Brás, na região central de São Paulo. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, com base na versão apresentada por Neto no boletim de ocorrência. No entanto, mais de um mês depois, o tenente-coronel tornou-se réu por feminicídio e fraude processual.Ele foi preso na última quarta-feira (18), em São José dos Campos A defesa de Neto nega que ele tenha matado a mulher.Segundo um relatório da Polícia Civil, ao qual o Estadão teve acesso, Neto teria imobilizado Gisele por trás com a mão esquerda, segurado a mandíbula dela e, com a mão direita, efetuado um disparo contra a têmpora da vítima.Ela foi baleada de frente para a janela, ao lado do sofá. Em seguida, ele colocou o corpo no meio da sala e acionou o superior hierárquico, o coronel Bueno, antes de ligar para o 190. A polícia foi acionada por volta das 7h57. Quando os dois primeiros policiais chegaram ao local, a vítima já estava sendo atendida por socorristas.Gisele foi encaminhada para o Hospital das Clínicas, onde morreu às 12h04. Neto afirmou aos policiais que estava no banheiro quando ouviu um barulho e, ao sair, encontrou a mulher caída no chão, com a arma dele na mão. Ele alega que ela se matou após ele pedir o divórcio.*Com informações do Estadão Conteúdo Leia também Juíza manda soltar mãe de Henry Borel; julgamento é adiado para junho Policial mata ex a tiros; mulher era comandante da Guarda Municipal de Vitória