Ondas cerebrais no sono podem revelar risco de demência

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Imagine detectar o risco de demência antes mesmo do surgimento de sintomas como perda de memória. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco e do Beth Israel Deaconess Medical Center indica que isso pode ser feito a partir da análise das ondas cerebrais durante o sono.A pesquisa acompanhou mais de 7.000 pessoas ao longo de vários anos e mostrou que alterações na atividade cerebral noturna podem sinalizar maior probabilidade de desenvolver demência, mesmo quando os participantes ainda não apresentam sinais da doença.O conceito de “idade cerebral”O trabalho se baseia no conceito de “idade cerebral”, que representa como o cérebro se comporta em termos de envelhecimento com base na sua atividade — algo que pode não coincidir com a idade real da pessoa.Para isso, os pesquisadores utilizaram o chamado índice de idade cerebral, que compara a idade do cérebro com a cronológica. Quando esse índice aponta um cérebro mais “velho”, há indícios de envelhecimento acelerado. Já valores mais baixos sugerem melhor saúde cerebral.Estudo trabalhou com o conceito de idade cerebral (Imagem: Triff/Shutterstock)Relação entre idade cerebral e risco de demênciaDurante o acompanhamento, mais de 1.000 participantes desenvolveram demência, permitindo a comparação entre padrões iniciais de sono e os desfechos ao longo do tempo.Os dados indicaram que, a cada aumento de 10 anos na idade cerebral, o risco de demência crescia cerca de 40%. Quando a idade cerebral permanecia abaixo da idade real, o risco também se mantinha menor.Por que o sono traz sinais mais detalhadosDiferentemente de estudos que analisam apenas a duração do sono, a pesquisa focou nas ondas cerebrais produzidas durante a noite, que refletem o funcionamento de diferentes regiões do cérebro.“As métricas amplas do sono não capturam totalmente a natureza multidimensional complexa da fisiologia do sono”, afirmou Yue Leng, da Universidade da Califórnia em São Francisco.Como as ondas cerebrais influenciam o cérebroDurante o sono, o cérebro gera diferentes tipos de ondas, cada uma com funções específicas. As ondas lentas estão ligadas ao sono profundo e à recuperação cerebral, enquanto sinais mais rápidos, conhecidos como fusos do sono, ajudam na consolidação da memória.Segundo o estudo, alterações nesses padrões podem indicar dificuldades no processamento e armazenamento de informações. Por outro lado, padrões mais fortes e definidos foram associados a menor risco de demência, sugerindo um efeito protetor.Uso de aprendizado de máquina na análiseComo o cérebro produz diversos sinais simultaneamente, os pesquisadores recorreram ao aprendizado de máquina para analisar os dados.A técnica permitiu reunir múltiplas informações em um único indicador, a idade cerebral, facilitando a interpretação dos resultados e a comparação entre diferentes indivíduos e faixas etárias.Detecção precoce e monitoramentoA demência costuma se desenvolver lentamente, e os sintomas aparecem quando o cérebro já está comprometido. Nesse contexto, a análise do sono surge como uma forma precoce e não invasiva de identificar riscos.“A idade cerebral é calculada a partir das ondas cerebrais do sono. Sabemos que a atividade cerebral durante o sono fornece uma janela mensurável de quão bem o cérebro está envelhecendo”, disse Leng.Leia mais:8 alimentos que ajudam a melhorar a qualidade do sonoCom ou sem travesseiro? Veja o que é melhor para a saúde do seu sonoSentimos mais sono no frio? Veja o que diz a ciênciaHábitos diários e impacto na saúde cerebralOs resultados também indicam que a saúde do cérebro está ligada ao estilo de vida. Melhorias na saúde geral podem refletir em padrões de sono mais adequados.“Um melhor manejo do corpo, como reduzir o índice de massa corporal e aumentar exercícios para diminuir a probabilidade de apneia, pode ter impacto”, afirmou Haoqi Sun, do Beth Israel Deaconess Medical Center.Sono como indicador da saúde do cérebroO estudo reforça que o sono vai além do descanso, oferecendo sinais relevantes sobre o funcionamento e o envelhecimento do cérebro ao longo do tempo.Embora a idade cerebral não seja um diagnóstico, ela pode ajudar a identificar riscos com antecedência, ampliando as possibilidades de acompanhamento e cuidado. A pesquisa foi publicada na revista JAMA Network Open.O post Ondas cerebrais no sono podem revelar risco de demência apareceu primeiro em Olhar Digital.