Durante o julgamento da turista argentina Agostina Páez, acusada por injúria racial em um bar na zona sul do Rio, foi deferido pelo juízo o ingresso no processo do assistente de acusação, que terá cinco dias de prazo para apresentar as alegações sobre os pedidos do Ministério Público do estado (MPRJ) e da defesa da acusada.A medida foi aprovada após o Ministério Público apresentar suas declarações finais, nesta terça-feira (24), na 37ª Vara Criminal do Rio.Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), foram ouvidos os depoimentos de sete testemunhas — sendo cinco de acusação e duas de defesa — e realizado o interrogatório da ré. Leia Mais "Estou muito nervosa", diz argentina antes de julgamento por racismo no RJ Turista argentina acusada de injúria racial será julgada hoje no Rio Cartaz em posto da prefeitura ofende moradores de cidade no interior de MG Ainda durante a audiência, a defesa da turista argentina pediu a revogação das medidas cautelares impostas a ela, como a proibição de saída do país, a retenção do passaporte e o uso de tornozeleira eletrônica. “O juízo, porém, só se manifestará a respeito após a apresentação das alegações finais do assistente de acusação”, reforçou o TJRJ.À CNN Brasil, a defesa de Agostina Páez, informou que o MP concordou com que a advogada siga com o processo na Argentina. Porém, conforme apurado, o pedido ainda não foi acatado pelo juízo. Além disso, a argentina teria pedido desculpas pessoalmente às vítimas e sido perdoada, ainda nesta terça-feira (24). De acordo com a defesa, ela deverá pagar o valor de um salário mínimo para os envolvidos, durante 10 anos.Em nota, o MP manifestou-se contra o pedido da defesa da turista argentina para que ela aguarde a sentença em seu país de origem, sem a devida garantia ao juízo para o pagamento de eventual reparação às vítimas. Nota do MPO Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Promotoria de Justiça junto à 37ª Vara Criminal da Capital, manifestou-se, nesta terça-feira (24/03), contra o pedido da defesa da turista argentina Agostina Paez para que aguarde a sentença em seu país de origem, sem a devida garantia ao juízo para o pagamento de eventual reparação às vítimas. Em alegações finais, apresentadas em audiência de instrução, o MPRJ também requereu a condenação da acusada. A decisão judicial será divulgada nos próximos dias.Agostina responde pelo crime de injúria racial. Ela foi denunciada por proferir ofensas de cunho racista contra quatro funcionários de um bar localizado em Ipanema, na Zona Sul do Rio, em janeiro deste ano.De acordo com a denúncia, a acusada estava no estabelecimento, situado na Rua Vinícius de Moraes, na companhia de duas amigas, quando, após discordar dos valores cobrados na conta, dirigiu-se a um dos funcionários chamando-o de “negro” de forma ofensiva, com o intuito de discriminá-lo e inferiorizá-lo em razão de sua raça e cor.Ainda segundo os autos, mesmo após ser advertida de que sua conduta configurava crime no Brasil, a denunciada dirigiu-se à caixa do bar e a chamou de “mono” (“macaco”, em espanhol), além de realizar gestos que simulavam o animal. A denúncia relata, ainda, que, já na calçada em frente ao estabelecimento, Agostina voltou a praticar novas ofensas racistas, proferindo expressões, emitindo ruídos e repetindo gestos imitando um macaco, desta vez direcionados a três funcionários.A Promotora de Justiça Fabíola Tardin Costa destaca que uma eventual condenação terá relevância não apenas no caso concreto, mas também como afirmação do compromisso do Brasil no enfrentamento ao racismo, com potencial de repercussão no cenário sul-americano e no fortalecimento da defesa dos direitos humanos.