As agressões contra a policial militar Gisele Alves Santana dentro de um batalhão da Polícia Militar são um dos relatos mais graves reunidos pela investigação sobre a morte da militar, tratada como feminicídio.Segundo depoimento de uma testemunha à Corregedoria da corporação, que atuava no Departamento de Suporte Administrativo do Comando Geral, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto agrediu a esposa durante o expediente dentro do batalhão onde ambos atuavam.O relato indica que a violência ocorreu em uma área administrativa da unidade, de circulação restrita a policiais, quando durante uma discussão motivada por ciúmes, ele teria agredido Gisele fisicamente, pegando pelos braços e a pressionando contra a parede).Ainda de acordo com a testemunha, a cena foi presenciada por outros policiais que estavam no local, gerando constrangimento e preocupação diante da gravidade da situação.No inquérito da Corregedoria da Polícia Militar, outra testemunha do mesmo batalhão relatou que colegas teriam contado sobre a agressão: as câmeras do batalhão registraram que a vítima sofreu um aperto no pescoço, feito com força suficiente para comprometer a respiração. Segundo a testemunha, o gesto teria sido intenso e deliberado.A CNN Brasil teve acesso ao inquérito da Corregedoria, que reúne uma série de depoimentos sobre o relacionamento entre a vítima e o investigado. As testemunhas ouvidas apontam um padrão de comportamento marcado por ciúmes excessivos, controle e episódios recorrentes de conflito.Tenente-coronel desbloqueou celular de PM Gisele minutos após morte; veja Leia Mais PM abre processo para expulsar tenente-coronel após morte de esposa Tenente-coronel desbloqueou celular de PM Gisele minutos após morte; veja Novas mensagens mostram que PM Gisele queria divórcio após suposta traição De acordo com os depoimentos, as cenas dentro do batalhão não teriam sido casos isolados. Colegas da vítima descreveram outras situações de tensão, discussões frequentes e atitudes consideradas abusivas, inclusive no ambiente de trabalho.Novas mensagens mostram que PM Gisele queria divórcio após suposta traiçãoA apuração conduzida pela Corregedoria da Polícia Militar busca esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte de Gisele. O conjunto de depoimentos reforça a linha investigativa de violência doméstica e psicológica ao longo da relação.A CNN Brasil tenta contato com a defesa de Geraldo para um posicionamento sobre os relatos das testemunhas à Corregedoria da corporação. O espaço está aberto.Possível expulsão de tenente-coronelA Polícia Militar abriu um processo para expulsar o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto da corporação após a morte da esposa dele, a também policial militar Gisele Alves Santana. A informação foi confirmada à CNN Brasil pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico, na manhã desta sexta-feira (27).Segundo o secretário, o processo corre em paralelo às investigações. Além disso, ele afirma que mesmo que Geraldo ainda não seja condenado, ele pode ser expulso da Polícia Militar.A soldado Gisele Alves Santana morreu, com um tiro na cabeça, na manhã do último dia 18 de fevereiro.Ainda de acordo com Nico, o processo de expulsão é julgado por uma comissão e garante o direito à ampla defesa e contraditório, o que pode o tornar demorado. Outro ponto destacado é de que, caso haja absolvição do tenente-coronel na Justiça por “inexistência do fato” ou “negativa de autoria”, a PM pode ser obrigada a não expulsá-lo da corporação.Conforme o secretário, no momento em que Geraldo adentrou no sistema prisional, ele teve o salário cortado.A defesaA defesa do tenente-coronel afirmou que exercitará, uma vez instaurado o Conselho de Justificação, a sua plena defesa no procedimento. Além disso, disse que confia na proclamação da inocência administrativa de Geraldo Neto.