Caso Gisele: PM abre investigação que pode expulsar Geraldo Neto da força

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A Polícia Militar do Estado de São Paulo informou nesta sexta-feira (27) que abriu uma investigação interna contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito de matar sua esposa, Gisele Alves, com um tiro na cabeça.Segundo a corporação, o processo é independente da esfera penal e pode resultar na perda do posto e patente. Geraldo segue preso preventivamente, e o inquérito da PM está em fase final.  Assim que finalizado e remetido à Justiça, o comando avaliará a instauração de conselho para a expulsão do policial da força.Geraldo foi preso no último dia 18, em São José dos Campos, interior de São Paulo. A investigação da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCSP) identificou sangue da PM na toalha e na bermuda de Geraldo Neto. A apuração também constatou que o corpo da agente foi mexido pela forma como o sangue escorreu.Gisele foi morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, no Brás, região central de São Paulo. Na última quarta-feira (18), Geraldo Neto foi preso, suspeito de feminicídio e também pelo crime de fraude processual. Procurada, a defesa do militar, que nega que ele tenha matado Gisele, não retornou aos contatos da reportagem.Segundo o tenente-coronel, Gisele teria cometido suicídio enquanto ele tomava banho.  Neto afirma ainda que a mulher teria atentado contra a própria vida após ele declarar a ela o desejo de romper a relação.Contudo, prints de conversas anexados ao relatório final da investigação da Polícia Civil, obtido pelo Estadão, mostram que era Gisele quem demonstrava o desejo de se divorciar.  Geraldo resistia e não aceitava o fim do casamento.Os trechos foram extraídos do celular do tenente-coronel pelos investigadores. A Polícia Civil entende que esses diálogos são o “ponto central do relatório” porque revelam “um retrato sombrio e documentado da dinâmica do casal”.Outra acusaçãoO tenente-coronel foi acusado de assédio sexual por uma colega de trabalho.  De acordo com o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, a policial militar formalizou a denúncia no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e pediu sigilo por medo de sofrer retaliações.De acordo com o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, a policial militar formalizou a denúncia no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e pediu sigilo por medo de sofrer retaliações.Ao Estadão, o advogado afirmou que, na denúncia, a mulher relatou que Neto tentou beijá-la, mas foi rejeitado. Após a negativa, a policial afirma que passou a ser perseguida e foi transferida para outro batalhão, mesmo sem concordar com a mudança.“Ele a transferiu para um lugar bem mais distante de onde ela morava, causando um prejuízo para ela”, disse José Miguel.O episódio teria ocorrido no segundo semestre do ano passado, enquanto Neto ainda era casado com Gisele.Procuradas, a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar do Estado de São Paulo não retornaram às tentativas de contato do Estadão. O espaço segue aberto.*Com informações do Estadão Conteúdo