A sexta-feira (27) está sendo de queda para o Bitcoin, que voltou a operar abaixo dos US$ 70 mil nos últimos dias e recua 4,4% nesta tarde, sendo negociado a US$ 65.949, o preço mais baixo desde 2 de março. Em reais, a criptomoeda é cotada a R$ 354.809, segundo dados do Portal do Bitcoin.O recuo do Bitcoin é visto como um efeito colateral do cenário macroeconômico global, que novamente sofre com os reflexos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã e os impactos no comércio de petróleo. O time de Research do MB | Mercado Bitcoin aponta que o Bitcoin vem flutuando junto com as expectativas da guerra no Oriente Médio. O ativo chegou a bater US$ 71,6 mil na quarta-feira (25), quando havia uma expectativa de que houvesse uma espécie de acordo entre Estados Unidos e Irã, e até mesmo com possibilidade de cessar-fogo. Porém, o Irã recusou a proposta e apresentou uma contraproposta, na qual reivindica o reconhecimento internacional de sua soberania sobre o Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na quinta, após o fechamento dos mercados, que pausaria um ataque planejado a locais de energia iranianos, mas Israel então disse que “intensificaria” os ataques ao Irã após ataques de mísseis contra o país.A queda atual não se restringe ao Bitcoin. Os índices do mercado de ações estão amplamente em baixa nesta sexta-feira, com o Nasdaq caindo 1,5% até o momento, e o S&P 500 e o Dow ambos caindo pouco mais de 1% cada.Perspectiva de juros mais altos prejudica BTC A perspectiva de uma guerra prolongada levou o petróleo Brent a US$ 110 por barril e instalou um tom de pessimismo nos mercados, incluindo o de criptomoedas.“Temos vários efeitos dominó preocupantes. O aumento no petróleo tem dois efeitos negativos: o aumento da inflação e, consequentemente, o impacto nos juros dos EUA; e também piora a atividade econômica”, afirma Pedro Fontes, analista do MB. Em geral, a alta da inflação leva à elevação das taxas de juros como forma de conter os preços, o que é um cenário desfavorável para o mercado de criptomoedas. Com rendimentos maiores, títulos do Tesouro passam a oferecer retornos mais competitivos, deslocando recursos de ativos de risco, como o Bitcoin e o restante dos ativos digitais.Leia também: Como o Bitcoin é afetado pelo aumento dos rendimentos dos títulos dos EUAAté o começo do conflito, o mercado esperava que o Banco Central dos EUA, o Federal Reserve (Fed), promovesse uma redução gradual nas taxas, que atualmente estão entre 3,75% e 3,5%. O início da guerra e a alta de preços levaram o mercado a projetar a manutenção dos juros no mesmo patamar ao longo do ano. No entanto, nos últimos dias, a falta de perspectiva de resolução do conflito no Oriente Médio fez ganhar força a expectativa de novas altas.“Na lógica de juros mais altos, há menos propensão para risco, mais dificuldade dos países se financiarem, e a trajetória da dívida fica pior. É o efeito cascata que impacta diretamente o mercado de criptomoedas”, afirma Fontes. Impasse regulatório e saídas dos fundos Dentro do mercado cripto, também existem fatores que dificultam a recuperação do Bitcoin. O time de Research do MB destaca que os ETFs de Bitcoin registraram saídas de US$ 70 milhões nos últimos quatro dias, enquanto os ETFs de Ethereum acumulam retiradas de US$ 158 milhões, o que indica uma redução da demanda institucional e pressão vendedora no curto prazo.Além disso, empresas com estratégia de tesouraria em Bitcoin suspenderam compras ou reduziram o ritmo de aquisições de forma significativa.Outro ponto vem do ambiente regulatório. A Coinbase voltou a retirar seu apoio à Lei Clarity, projeto que tramita no Congresso dos EUA e busca estabelecer um marco regulatório para o setor de criptomoedas no país.“Estamos tendo um conflito no Senado entre os grandes bancos e as emissoras de stablecoins. O grande impasse é que os bancos não querem que as empresas de criptomoedas ofereçam rendimento para stablecoins paradas na conta”, explica Rony Szuster, head de Research do MB.Ele aponta que a única boa notícia da semana é que investidores de longo prazo continuam a acumular Bitcoin: “Foram mais de 32 mil unidades de BTC acumuladas nesta semana por este grupo”. Para onde o Bitcoin vai agora?De acordo com o time de Research do MB, o Bitcoin está sendo negociado dentro de uma faixa delimitada entre o suporte em US$ 65 mil e a resistência em US$ 75 mil. No curto prazo, há possibilidade de um movimento em direção ao próximo nível de suporte, na região dos US$ 60 mil, potencialmente influenciado por fatores macroeconômicos.Por outro lado, nos gráficos semanal e diário, o ativo apresenta condição de sobrevenda, o que pode indicar uma possível valorização após as correções recentes. Dessa forma, a análise aponta para um cenário em que o preço pode recuar até o suporte mencionado, seguido por uma recuperação que o leve novamente à faixa entre US$ 65 mil e US$ 75 mil.No médio e longo prazo, a equipe do MB traça quatro possíveis cenários para os próximos seis meses: em um movimento de alta mais agressivo, o Bitcoin poderia alcançar US$ 173 mil; em um cenário mais conservador, cerca de US$ 130 mil. Já em caso de correção, o ativo pode recuar para a faixa de US$ 54 mil, com um fundo mais extremo estimado em US$ 43 mil.Os especialistas apontam que os cenários mais prováveis para o Bitcoin no final do ano são as projeções do meio: uma renovação da máxima histórica com US$ 130 mil ou o recuo a faixa de US$ 54 mil.A análise gráfica foi feita com base no indicador MVRV, que compara o valor de mercado do Bitcoin com o preço médio pelo qual os investidores adquiriram seus ativos ao longo do tempo. Na prática, o indicador funciona como um termômetro de valuation, ajudando a identificar quando o ativo está sobrevalorizado ou subvalorizado em relação ao seu histórico.Quando o MVRV atinge faixas mais elevadas, isso indica que grande parte dos investidores está em lucro, o que historicamente antecede momentos de topo de mercado e possíveis correções. Por outro lado, níveis mais baixos sugerem períodos de subavaliação, geralmente associados a fundos de ciclo e oportunidades de acumulação.No gráfico analisado, esse comportamento se repete: nos ciclos de alta de 2017 e 2021, o Bitcoin atingiu as bandas superiores do indicador antes de fortes quedas, enquanto em 2018 e 2022 o ativo tocou regiões inferiores, marcando períodos de bear market..Liquidez sem vender as suas criptos: se você investe pensando no longo prazo, sabe que desmontar posição tem custo. Com o CriptoCrédito do MB, suas criptos viram garantia para um empréstimo liberado de forma rápida. Dinheiro em até 5 minutos, sem burocracia, direto no app! Conheça agora!O post Entenda por que o Bitcoin cai para US$ 65 mil e até onde o preço pode ir apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.