A demanda pela exportação de carne bovina do Brasil segue forte, com avanços importantes nos embarques para Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia. Esse movimento deve permitir que o maior exportador global enfrente melhor a cota restritiva de vendas para a China, afirmou nesta sexta-feira a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).“O bom ritmo das vendas neste início de ano é um forte indicativo de que as medidas de salvaguardas impostas pela China às importações de carne bovina devem ter impacto reduzido para o Brasil neste ano”, afirmou a entidade em nota, em referência às restrições do maior importador global.Leia tambémBrasil tem “arma secreta” contra crise do petróleo, aponta The EconomistRevista britânica destaca etanol, biodiesel e frota flex como escudo contra a disparada dos combustíveisVale cai 11% no mês, apesar de alta do minério; mas por que mercado segue otimista?Bancos reiteraram recomendação de compra para os ativosA guerra no Oriente Médio, dependendo de sua duração e desdobramentos, pode ser um fator prejudicial às exportações brasileiras em 2026, devido ao aumento dos custos logísticos, acrescentou a Abrafrigo.Segundo a associação, porém, o setor de carnes, diante da demanda aquecida, tem conseguido redirecionar embarques e operar por rotas alternativas que contornam o Estreito de Ormuz para atender países do Oriente Médio, região diretamente impactada pelo conflito.A Abrafrigo citou que os Estados Unidos, segundo maior mercado para a carne bovina do Brasil, precisam importar 2,5 milhões de toneladas em 2026, conforme dados do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA). Esse volume elevado ocorre em meio a um ciclo de baixa no rebanho, que reduz a oferta de carne no mercado interno dos EUA.Além disso, outros mercados como Chile, Rússia, Egito, Emirados Árabes, México e Arábia Saudita também apresentaram “crescimento expressivo” das importações de carne bovina brasileira no primeiro bimestre do ano, disse a entidade.Há ainda “boas perspectivas” de consolidação e abertura de novos mercados, como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul, “o que deverá contribuir para manter aquecida a demanda pela carne bovina brasileira no mercado internacional”.Segundo a Abrafrigo, mesmo em um cenário em que o Brasil esgote sua participação na cota da China — de 1,1 milhão de toneladas isentas da tarifa mais alta de 55% —, “a tendência é de que o aumento da demanda em outros mercados e a restrição pelo lado da oferta mantenham forte a demanda por animais para atender as exportações de carne bovina deste ano”.No primeiro bimestre, as vendas de carnes in natura e industrializadas — incluindo miúdos e outros subprodutos bovinos — aumentaram 39% em receita, para US$ 2,865 bilhões, enquanto os volumes embarcados cresceram 22%, para 557,24 mil toneladas, segundo dados da Abrafrigo.Somente para os EUA, as vendas de carne bovina in natura cresceram 97,3% no primeiro bimestre, para US$ 379 milhões, enquanto o volume embarcado subiu 60%, para 63,08 mil toneladas.As vendas para a União Europeia de carne bovina in natura avançaram 24,6% em receita, para US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, para 14,17 mil toneladas, informou a entidade.The post Carne bovina: demanda de EUA, UE e Oriente Médio alivia cota da China, diz entidade appeared first on InfoMoney.