“Era louco”: amigas de PM morta descrevem tenente-coronel preso

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“Ele estava com três armas. Ele era louco.” O relato feito por Gisele Alves a uma amiga, também policial militar, descreve um episódio ocorrido em um casamento em 2025, quando o tenente-coronel Geraldo Neto foi ao evento portando três armas. Segundo as testemunhas, a situação causou espanto e reforça o ambiente de medo e instabilidade que, de acordo com os depoimentos, marcava o relacionamento.As declarações são de amigas da PM Gisele Alves e constam no inquérito final da polícia, revelando um padrão reiterado de controle e vigilância. De acordo com os relatos, o oficial monitorava a rotina da esposa, acompanhava suas escalas e frequentava o local de trabalho dela de forma constante. “Quase todos os dias ia buscá-la” e permanecia observando o ambiente, afirmou uma das depoentes. Leia Mais Tenente-coronel admite relação sexual um dia antes da morte de PM Tenente-coronel cita gastos com relação e chora falando da esposa; veja Entenda motivos que levaram à prisão do tenente-coronel Geraldo Neto O comportamento descrito pelas amigas indica também invasão de privacidade e atitudes consideradas obsessivas. Há relatos de que o tenente-coronel chegava “de forma sorrateira, tentando escutar conversas”, além de se esconder para observar a esposa e colegas. Trocar imagemTrocar imagem 1 de 5 Geraldo e Gisele estavam juntos há cerca de 4 anos • Reprodução/Redes Sociais Trocar imagemTrocar imagem 2 de 5 Coversas mostram mensagens como "macho alfa" e "fêmea beta" • Reprodução Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 3 de 5 Prints revelam "regras de comportamento" que Geraldo exigia de Gisele • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 4 de 5 Mensagens apontam que Gisele teria se queixado de que Geraldo a "tratava de qualquer jeito" • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem 5 de 5 Mensagens foram trocadas no dia 13 de fevereiro • Reprodução visualização default visualização full visualização gridA mudança de comportamento de Gisele também chamou a atenção. Segundo uma das policiais, ela ficava “tensa na presença do marido”, com postura mais reservada do que o habitual.Os depoimentos ainda apontam episódios de descontrole emocional e ciúmes extremos. Uma das amigas relatou que o oficial já havia perdido o controle durante uma discussão, com “veias saltando e agressividade visível”. Em outro caso, ele precisou ser contido após reagir a um elogio feito à Gisele, dentro do batalhão, no local de trabalho.O medo de uma possível violência mais grave aparece de forma recorrente. Gisele chegou a questionar uma amiga se o marido “teria coragem de matá-la”. Em outro trecho, ela relatou que, caso algo acontecesse, ele a mataria — e que a situação poderia chegar ao limite de “ou ele me mata ou eu mato ele para me proteger”.As amigas também indicaram que a vítima acreditava que qualquer atitude considerada uma quebra na relação poderia desencadear uma reação extrema. Havia o temor de que situações como uma possível traição pudessem ter desfecho fatal. Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 1 de 6 De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28 • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem 2 de 6 A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça • Reprodução Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 3 de 6 A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 4 de 6 Após isso, Geraldo Neto atirou contra o lado direito do crânio da PM Gisele Alves Santana, segundo o MP • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem 5 de 6 Imagens mostram as marcas das agressões sofridas por Gisele no dia da morte • Reprodução Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 6 de 6 O Ministério Público também sustenta que houve demora no acionamento do socorro. Conforme a acusação, o policial só teria chamado ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que teria alterado o local dos fatos • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem visualização default visualização full visualização gridA filha de GiseleOutro ponto citado, em depoimentos, é o impacto no ambiente familiar. Segundo relatos, a filha de Gisele, que vivia com o casal, demonstrava medo do “tio Neto”, além de apresentar perda de peso e episódios de enurese noturna.Os depoimentos convergem ao descrever um relacionamento marcado por controle psicológico, vigilância constante e medo crescente — um contexto que, segundo as amigas da vítima, indicava um risco real e iminente.Feminicídios cresceram 18% nos últimos 5 anos no Brasil, aponta estudo