Um projeto realizado em Salvador pelo British Council, em parceria com a LAJE Sustentabilidade, compensou a emissão de 2,28 toneladas de CO₂ e deixou um conjunto de ações ambientais com impacto de longo prazo. A iniciativa marcou o primeiro desfile de trio elétrico carbono neutro da cidade e incluiu o plantio de 1.100 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica. Com ações previstas de manutenção e monitoramento, a consultoria responsável estima a captura de cerca de 50 toneladas de CO₂ equivalente nos próximos cinco anos.“Eventos desta dimensão têm potencial para induzir mudanças estruturais. Este projeto prova que dá para reduzir emissões e organizar a gestão ambiental mesmo em grandes eventos de rua. Isso coloca a sustentabilidade como parte do modelo de produção cultural”, afirma Rafael Ferraz, head de Artes do British Council no Brasil.Foto: Mateus Fernandes Leia também: 1.Aplicativo 99 registra alta de corridas elétricas no Carnaval 2.Carnaval e Sustentabilidade: Bloco do Pedal gera sua própria energia A ação foi realizada durante a passagem do Navio Pirata, trio elétrico da banda BaianaSystem, e integrou o inventário de emissões de gases de efeito estufa, monitoramento ambiental, ações de economia circular e iniciativas de inclusão socioambiental. O projeto contou com o apoio da Prefeitura de Salvador através das Secretarias de Cultura e Turismo e Sustentabilidade e Resiliência ao longo do desfile, e viabilizou a coleta de 428 quilos de resíduos, além de ações estruturadas de capacitação e proteção para trabalhadores do Carnaval.Foto: Mateus FernandesNo eixo de resíduos e economia circular, foram recolhidos 194 quilos de materiais recicláveis, como PET e alumínio, além de 234 quilos de isopor, volume 103% acima da meta estabelecida. Também foram coletados 210 litros de óleo de cozinha e azeite de dendê usados, que foram destinados para a produção de biodiesel. A coleta de óleo pode evitar a contaminação de aproximadamente 5 milhões de litros de água.Foto: Mateus FernandesDurante o desfile, a equipe técnica realizou seis medições de qualidade do ar e 18 medições de ruído, em diferentes pontos e horários do percurso, além do controle do consumo energético do trio elétrico, que operou por 4,6 horas com acompanhamento contínuo. Os dados coletados irão subsidiar relatórios de impacto ambiental e social, com base na metodologia científica ESALQ-USP / Instituto Totum / SOS Mata Atlântica, que subsidiarão futuras iniciativas em outros carnavais.“O Carnaval envolve uma cadeia extensa de trabalho e renda. Cuidar do impacto ambiental exige, ao mesmo tempo, cuidar das pessoas que sustentam essa festa. O projeto mostra que impacto social e ambiental precisam caminhar juntos”, afirma Leide Laje, CEO e fundadora da LAJE Sustentabilidade.Foto: Mateus FernandesAo todo, 213 pessoas foram beneficiadas diretamente, entre elas 94 ambulantes, 42 baianas de acarajé, 30 catadores, 38 seguranças (os Cordeiros da Paz) e uma equipe de acolhimento. Os três últimos participaram de ações formativas voltadas à acessibilidade para pessoas com deficiência. O projeto realizou cinco horas de treinamentos e oficinas, com capacitação específica para catadores, formação em acessibilidade PCD, preparação da equipe de acolhimento e oficina de compostagem urbana.A operação incluiu ainda medidas de proteção ao público, como a distribuição de 200 protetores auriculares, 20 abafadores de som infantis e 48 cordões de identificação para crianças, além de uma equipe de acolhimento composta por nove pessoas, três delas com deficiência.Do eixo de compromisso socioambiental faz parte o plantio de 1,1 mil mudas de espécies nativas da Mata Atlântica na APA Joanes – Ipitanga, região metropolitana de Salvador. Está previsto o monitoramento, manutenção e verificação do plantio durante um ano. Com base em estudos científicos consolidados para o bioma, estima-se um potencial de sequestro de 44 a 50 tCO₂e (toneladas de CO2 equivalente) em 5 anos e 96 a 110 tCO₂e em 10 anos. Leia também: 1.Adolescente cria rede solidária a partir da reciclagem na Inglaterra 2.Bloco da Reciclagem recuperou 30 toneladas de recicláveis no Ibirapuera Foto: Mateus Fernandes Leia também: 1.Tecnologia baiana acelera compostagem e reduz emissões 2.Lei de Incentivo à Reciclagem inclui projetos de compostagem Como legado para comunidades tradicionais, o projeto doou quatro composteiras urbanas feitas de isopor reciclado a três comunidades Quilombolas – Rio do Macaco, Areia Branca e Dandá, ampliando o impacto ambiental positivo para além do período do Carnaval.“Salvador tem um dos maiores carnavais do mundo e, justamente por isso, também tem a responsabilidade de liderar caminhos mais sustentáveis para grandes eventos. Essa iniciativa mostra que é possível conciliar a potência cultural da festa com práticas concretas de redução de emissões, gestão de resíduos e inclusão socioambiental. Para a Prefeitura, apoiar projetos como este significa transformar o Carnaval em um espaço de inovação, aprendizado e construção de soluções que podem inspirar outros eventos no Brasil e no mundo”, afirma Ivan Euler, secretário de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) da Prefeitura de Salvador.Foto: Mateus FernandesA iniciativa integra a programação do Ano Cultural Brasil/Reino Unido 2025–26, programa bilateral que promove colaborações entre os dois países em áreas como cultura, educação e sustentabilidade. O projeto, pioneiro em Salvador, pretende gerar aprendizados e metodologias que possam ser replicados em outros grandes eventos no Brasil e internacionalmente para contribuir com uma agenda mais ampla de descarbonização e desenvolvimento sustentável. 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