A Polícia Federal identificou a existência de um modelo estruturado de lavagem de dinheiro que teria sido utilizado tanto pelo Grupo Fictor quanto por células da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, reproduzidas pelo G1, o esquema combinava empresas de fachada, movimentações financeiras simuladas e cooptação de funcionários de instituições bancárias.A apuração faz parte da Operação Fallax, deflagrada na quarta-feira (25) em três estados, que investiga fraudes com potencial de ultrapassar R$ 500 milhões. Ao todo, foram expedidos 21 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão. Entre os presos estão dois gerentes da Caixa Econômica Federal e uma ex-gerente do Banco do Brasil.Segundo a PF, o grupo operava um sistema profissionalizado, com divisão de funções e padronização das fraudes. Empresas eram criadas em larga escala com dados de terceiros, contabilidade manipulada e histórico financeiro artificial. Esse ambiente permitia simular faturamento elevado e obter crédito junto a bancos, além de viabilizar a circulação de recursos ilícitos.Leia tambémEmpresário preso por fraude no INSS depõe à PF para acordo de delaçãoApontado como peça-chave do núcleo financeiro, empresário negocia acordo enquanto CPMI amplia foco sobre sua famíliaA investigação aponta que o Grupo Fictor exercia papel central nesse modelo, atuando como núcleo financeiro da engrenagem. Segundo os investigadores, a estrutura ajudava a alimentar fluxos artificiais de caixa e a sustentar operações que enganavam instituições financeiras. Esse mesmo mecanismo teria sido utilizado por integrantes do Comando Vermelho para lavar dinheiro oriundo do tráfico.Após circular por essas empresas, os valores eram direcionados para a aquisição de bens de alto valor e criptoativos, dificultando o rastreamento. Para a PF, o compartilhamento da estrutura revela um “ecossistema criminoso” que conecta operadores financeiros, empresários e facções.O esquema também dependia da participação de funcionários de bancos. Segundo a investigação, gerentes inseriam dados falsos em sistemas internos, facilitando a liberação de crédito e a realização de operações com base em informações manipuladas. Essa atuação era considerada essencial para dar aparência de legalidade às transações.As empresas eram mantidas ativas por um período limitado, geralmente entre um e um ano e meio. Nesse intervalo, movimentavam grandes volumes de recursos e acumulavam crédito. Em seguida, eram abandonadas, deixando prejuízos para as instituições financeiras, que enfrentavam dificuldade para recuperar os valores.A PF afirma que bancos como Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra registraram perdas relevantes com o esquema. A Justiça determinou o bloqueio de bens, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, além da quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas.Entre os alvos da operação está o CEO do Grupo Fictor, Rafael de Gois, que teve mandados de busca cumpridos em São Paulo. Segundo a defesa, apenas um celular foi apreendido. “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes”, informou em nota enviada ao G1. O ex-sócio Luiz Rubini também foi alvo de medidas judiciais.As investigações tiveram início em 2024, após a identificação de indícios de um sistema articulado de fraude bancária. Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o sistema financeiro, com penas que podem superar 50 anos de prisão.The post PF liga Grupo Fictor e Comando Vermelho em esquema de R$ 500 mi appeared first on InfoMoney.