A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que determinou a nova prisão do ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar ocorre em meio ao avanço das investigações sobre sua suposta interferência em apurações ligadas ao Comando Vermelho.Ao justificar a medida, Moraes destacou que Bacellar já não exerce mandato parlamentar — após ter o diploma cassado pela Justiça Eleitoral —, deixando de contar com as prerrogativas e proteções institucionais do cargo. Bacellar havia sido preso anteriormente, mas foi liberado por decisão da Alerj. Na decisão, Moraes aponta ainda risco concreto de obstrução de Justiça caso ele permanecesse em liberdade.Segundo o ministro, há indícios de que Bacellar teria atuado para interferir em investigações. Ele também menciona o possível acesso a informações sensíveis e a capacidade de influência política suficiente para comprometer a coleta de provas e o andamento das apurações. Leia Mais Defesa de Lulinha chama relatório da CPMI de “documento político” Rodrigo Bacellar é preso novamente pela PF no Rio Análise: Investigações politizadas enfraquecem combate ao crime Moraes também sustenta que as medidas cautelares impostas anteriormente — como tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar — não são mais suficientes diante da gravidade dos fatos.O ex-deputado foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal no Rio e será transferido para o sistema prisional do estado.Rodrigo Bacellar é preso novamente pela PF no Rio de Janeiro | HORA HEm nota, a defesa afirmou que desconhece os motivos da nova prisão decretada e a classificou como indevida e desnecessária. Segundo os advogados, Barcellar “vinha cumprindo integralmente todas as medidas cautelares impostas”.Nesta semana, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinou a cassação do mandato de Bacellar, no mesmo processo que levou à inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL).Denunciado pela PGRNo último dia 16, a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, pelo crime de obstrução de investigação relacionada à facção criminosa Comando Vermelho.Também foram denunciados o desembargador Macário Ramos Júdice Neto; a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima; e seu assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado.Segundo a PGR, os denúnciados atuaram juntos para prejudicar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 com o objetivo desarticular uma organização criminosa dedicada à prática de tráfico internacional de armas de fogo e entorpecentes, corrupção, lavagem de capitais e outros delitos de elevada gravidade, liderada por integrantes do Comando Vermelho.