O episódio envolvendo Max Verstappen na coletiva do GP do Japão ganhou novo capítulo com a reação do jornalista Giles Richards, do The Guardian, que detalhou o ocorrido e o histórico com o piloto.Verstappen condicionou sua participação à saída do repórter da sala. O caso ocorreu na quinta-feira (26), em Suzuka, e teria origem em uma pergunta feita ao fim da temporada passada, após o GP de Abu Dhabi. Leia Mais F1: Piastri, da McLaren, é o mais rápido no TL2 para o GP do Japão Antes do GP do Japão, Lewis Hamilton desfila com Ferrari lendária Fórmula 1: veja curiosidades do lendário circuito do Japão Em coluna, Richards afirmou que ficou surpreso com a atitude e destacou que nunca havia sido retirado de uma coletiva na Fórmula 1 em mais de uma década cobrindo a categoria.“Nosso primeiro encontro presencial em 2026 aconteceu em Suzuka, quando o holandês se revelou ter uma memória de elefante. Ao me ver, ele me encarou, sorriu e declarou que não falaria até que eu me retirasse”, iniciou.“Você está mesmo tão chateado com isso?”, perguntou Richards na ocasião. “Saia daqui. É. Saia daqui”, respondeu o piloto, segundo o relato.Após isso, o jornalista se retirou da sala, e Verstappen se dispôs a dar andamento à coletiva. Richards destacou que o piloto sorria durante a interação.“Verstappen sorriu durante toda a discussão. Talvez estivesse simplesmente apreciando a dinâmica de poder?”, indagou na coluna. “Fiquei profundamente decepcionado (…). Nunca me pediram para me retirar de uma coletiva de imprensa. É uma ocorrência extremamente rara para um jornalista na F1, sendo que quase ninguém consegue se lembrar de mais de um ou dois casos.”Não obstante, o repórter afirmou que segue admirando Verstappen mesmo após a decepção.“Continuo admirando Verstappen e espero que possamos ter um relacionamento melhor no futuro. Às vezes, perguntas difíceis e constrangedoras precisam ser feitas. Esse é o preço a se pagar por esse privilégio”, concluiu.Entre falta de classe e bem-estarApós o episódio, o jornalista relatou ter recebido mensagens ofensivas por e-mail.“Em menos de duas horas, alguém rastreou meu e-mail. ‘Você é o problema. Você é o idiota tóxico responsável por toda a parcialidade britânica na F1. Você é o pior'”.Ele também citou a reação de colegas da imprensa.“Meus colegas ficaram em choque e preocupados com meu bem-estar. Um deles descreveu a atitude como ‘sem classe'”, contou.Richards afirmou estar bem e defendeu o papel da imprensa no restante da coluna.“Estou bem. Aliás, a parte mais desconfortável é escrever sobre isso em primeira pessoa. Um jornalista nunca quer ser a notícia”, sopesou.Abu Dhabi: o começo do problemaO jornalista relembrou que já havia entrevistado Verstappen outras vezes, com interações consideradas normais.“Em mais de uma década cobrindo o esporte, entrevistei Verstappen talvez uma dúzia de vezes, todas de forma amistosa e bem-humorada”.Segundo ele, o incômodo do holandês surgiu após pergunta sobre o incidente com George Russell no GP da Espanha de 2025.“Após a última corrida da temporada em Abu Dhabi”, escreveu, “perguntei a ele como se sentia em relação ao incidente e se tinha algum arrependimento, uma pergunta que precisava ser feita”.“Não tenho certeza se dei um sorriso bobo. Certamente fiquei surpreso com a veemência da resposta dele, e isso pode ter provocado um sorriso nervoso”.O repórter afirmou que ficou surpreso que Verstappen voltou a demonstrar incômodo mesmo meses depois, ao exigir sua saída da coletiva no Japão.“Depois de lhe dizerem que não falaria a menos que eu me retirasse, perguntei se era por causa da pergunta feita em Abu Dhabi. Ele confirmou. Mais uma vez, fiquei surpreso”.Regulamento de 2026 da F1 divide pilotos e muda estilo de corrida