10 cidades, 40 sítios arqueológicos e cachoeiras gigantes em um lugar onde o chão brilha à noite

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No sudoeste de Goiás, a Chapada das Emas reúne cachoeiras de 96 metros, pinturas rupestres com 12 mil anos e um fenômeno de bioluminescência que só existe neste parque no mundo inteiro. É uma das regiões turísticas mais completas do Brasil Central e ainda não chegou no radar da maioria dos viajantes.Uma região nova no mapa que existe há 12 mil anosA Chapada das Emas foi formalizada como a 11ª região turística do Mapa de Turismo de Goiás, reunindo 10 municípios do sudoeste goiano: Bom Jardim de Goiás,Baliza, Piranhas, Doverlândia, Caiapônia, Santa Rita do Araguaia, Portelândia, Mineiros, Serranópolis e Chapadão do Céu. A região é atravessada por afluentes dos rios Paranaíba e Araguaia, termina na Serra do Caiapó e atinge altitudes de até 1.050 metros. Rios Paranaíba e Araguaia (Foto:Muriloif ,Wikimedia,CC BY-SA 4.0)A curiosidade central é justamente essa contradição: a rota turística é nova, mas o território tem registro humano de pelo menos 12 mil anos, confirmado por fósseis e pinturas rupestres que cobrem paredões de arenito em mais de 40 sítios catalogados. Quem chega sem expectativa vai embora com a sensação de ter encontrado algo que o Brasil ainda não aprendeu a contar.Baliza: onde uma cachoeira de 96 metros cabe num miranteBaliza é o ponto de entrada natural pelo norte da região. A cidade leva o nome de uma pedra de cinco metros no meio do Rio Araguaia, o que já diz algo sobre a escala do lugar. O Salto Paraguaçu tem 96 metros de queda e pode ser visto de dois ângulos completamente diferentes: do mirante no topo, que entrega a amplitude da cascata contra o cerrado, e da base, onde a névoa e o barulho da água transformam a visita em outra experiência. Os cânions do Araguaia na mesma região permitem rafting e canoagem para quem quiser estender o dia.Caiapônia: a capital das cachoeiras no Cerrado goianoA 318 km de Goiânia, Caiapônia concentra mais atrativos hídricos do que o visitante consegue percorrer em um único dia. O Complexo da Cachoeira Santa Helena reúne cascatas naturais, o Poço Azul, a Piscina Lua de Mel e um ponto raro onde dois rios de temperaturas diferentes se encontram visivelmente. A Cachoeira do Lajeado, a Abóbora e a Samambaia completam o inventário de uma cidade que acumula mais quedas d’água por km² do que qualquer outra da rota.Cachoeira Santa Helena, em Caiapônia (Foto: Luciano Guimarães-Divulgação Governo de Goiás)Piranhas e o segundo salto de 96 metros da regiãoEm Piranhas, o Salto São Domingos repete a escala do Paraguaçu: cerca de 96 metros de queda emoldurados por cânions rochosos e mirantes naturais. A trilha de acesso é curta. O contraste entre a altura da queda e o silêncio do cerrado ao redor é o que fica. O Rio Piranhas, com águas cristalinas, atrai banhistas mesmo fora da temporada de grandes vazões.Mineiros: o dia que começa no fogão a lenha da comunidadeUm dos trechos mais inesperados do roteiro não tem cachoeira nem parque. Na região do Pingo Fogo, na qual pode praticar turismo de base comunitária com piscinas naturais, trilhas pelo cerrado. O turismo aqui distribui renda entre múltiplas famílias locais e a experiência é tão distante do turismo convencional quanto o cerrado está do litoral.Parque Nacional das Emas: 132 mil hectares e um fenômeno que só existe aquiO Parque Nacional das Emas é o ponto alto da rota. Criado em 1961 pelo presidente Juscelino Kubitschek, o parque protege 132 mil hectares de cerrado na divisa de Goiás com Mato Grosso do Sul e foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco em 2001. É o habitat de cerca de 800 espécies de plantas e mais de 300 de aves e mamíferos, entre eles lobo-guará, tamanduá-bandeira, anta, veado-campeiro e onça-pintada.Bioluminescência no Parque Nacional das Emas – GO Foto: Ary Bassous-Trilhaseaventuras)O fenômeno que coloca o parque numa categoria à parte acontece entre outubro e novembro, à noite: a bioluminescência dos cupinzeiros. Larvas de vagalumes se instalam nos buracos dos cupins e emitem luz esverdeada para atrair insetos. O resultado é um cerrado pontilhado por pontos luminosos que lembram, do alto, as luzes de uma cidade. Por razões ainda não totalmente explicadas pela ciência, o fenômeno só ocorre neste parque. O acesso é por carro-safari alugado nos municípios de Mineiros e Chapadão do Céu, que é a cidade-base para visitar o parque.Serranópolis: 40 sítios arqueológicos e 12 mil anos de história no paredãoSerranópolis é considerada uma das mais importantes regiões arqueológicas das Américas. O município tem mais de 40 sítios catalogados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com pinturas rupestres, gravuras em rocha e fósseis que documentam a ocupação humana do Cerrado desde pelo menos 12 mil anos atrás.Como chegar na regiãoA base de entrada mais prática é Mineiros, a 420 km de Goiânia pela BR-060, com cerca de 5h de carro. Voos para Goiânia partem das principais capitais. Os trechos entre cidades são todos asfaltados; o acesso a pousadas rurais e sítios arqueológicos exige estradas de terra que pedem carro com boa tração.O post 10 cidades, 40 sítios arqueológicos e cachoeiras gigantes em um lugar onde o chão brilha à noite apareceu primeiro em Olhar Digital.