A escolha da ração de um animal de estimação é uma das decisões com maior impacto na saúde e na longevidade de cães e gatos. No entanto, diante de prateleiras lotadas e diferentes apelos comerciais, muitos tutores acabam baseando a compra apenas no preço ou na estética da embalagem. Para a medicina veterinária, a definição da dieta correta afasta-se do marketing e concentra-se exclusivamente nas necessidades físicas de cada paciente.Para detalhar os critérios que devem guiar essa escolha, a reportagem ouviu a médica-veterinária Vanessa Mesquita. A especialista orienta que não existe um alimento único que sirva para todos os animais. A decisão deve cruzar quatro informações básicas: a idade, o porte, o estilo de vida e o histórico de saúde do pet.A fase de vida é o primeiro critério de corte. “Filhotes precisam de uma alimentação rica em nutrientes e vitaminas importantes para o desenvolvimento. Pets adultos necessitam de uma dieta equilibrada para a manutenção, e pets idosos precisam de uma alimentação rica em antioxidantes e que ofereça suporte para as articulações”, explica a veterinária.O tamanho do animal também dita o tipo de produto. A indústria formula grãos de tamanhos diferentes justamente para facilitar a mastigação e evitar engasgos. Cães de raça contam ainda com dietas específicas, desenvolvidas com base em estudos científicos que mapeiam as doenças mais comuns daquela linhagem, utilizando a nutrição como forma de prevenção.Nos casos em que o animal já apresenta algum problema de saúde, a alimentação passa a ser parte do tratamento médico. O mercado disponibiliza as chamadas rações medicamentosas, prescritas exclusivamente por veterinários para auxiliar no controle de doenças renais, problemas cardíacos ou dermatites severas. Leia mais Gatos com dois rostos, como em "O Agente Secreto", existem na vida real Lei obriga pet shops a filmarem banhos e tosas em Porto Alegre Morte de pet causa um luto mais intenso do que a de parentes, diz estudo A diferença entre as categorias de raçãoUma das maiores dúvidas dos tutores diz respeito à classificação das rações secas em standard, premium e super premium. A veterinária esclarece que a principal diferença entre elas está na qualidade dos ingredientes e na digestibilidade, ou seja, na capacidade que o organismo do animal tem de aproveitar os nutrientes ingeridos.A ração standard é a linha mais básica. Produzida com ingredientes mais baratos, ela apresenta uma digestibilidade menor. “O organismo do pet não aproveita os nutrientes da mesma forma. O pet precisa comer mais e o volume das fezes é maior”, explica Vanessa. A categoria premium representa um avanço, oferecendo maior quantidade de proteína, ingredientes de melhor qualidade e um balanceamento nutricional mais rigoroso.Já a ração super premium é a linha de mais alta qualidade nutricional. Ela utiliza proteínas de alto valor e geralmente inclui em sua formulação componentes extras, como ômegas 3 e 6 e probióticos. A principal vantagem dessa categoria é a sua ótima digestibilidade. Como o corpo do animal absorve quase tudo o que consome, a porção diária necessária é menor, o que resulta também em uma redução expressiva no volume das fezes.Para identificar a qualidade do que está sendo comprado, a leitura do rótulo é indispensável. A orientação da especialista é verificar a lista de ingredientes para evitar fórmulas que tenham milho ou soja como base principal, além de conferir a composição nutricional, o prazo de validade e a quantidade diária recomendada pelo fabricante.Ração seca, úmida ou naturalA apresentação do alimento também deve se adequar à rotina e às necessidades do animal. A ração seca é a opção mais prática, tem custo acessível e o atrito dos grãos ajuda na limpeza mecânica dos dentes durante a mastigação.As dietas úmidas, vendidas em sachês ou latas, destacam-se pela palatabilidade e pelo alto teor de água. A veterinária ressalta que esse tipo de alimento é extremamente benéfico para manter a hidratação, sendo uma estratégia especialmente interessante para os gatos, que costumam beber pouca água espontaneamente. O cuidado exigido com a dieta úmida é a atenção redobrada à saúde bucal do pet, já que alimentos macios facilitam o acúmulo de placa bacteriana.A alimentação natural, composta por ingredientes frescos, tem ganhado espaço e costuma ter excelente aceitação pelos animais. No entanto, a veterinária faz um alerta grave sobre essa prática. A comida natural oferecida ao pet não é sinônimo de restos da refeição dos tutores. Esse tipo de dieta exige formulação rigorosa e suplementação prescrita por um médico-veterinário especialista em nutrição, para garantir que o animal não sofra com a falta de vitaminas essenciais.Os erros mais comuns e a troca de raçãoO hábito de dividir a própria comida com o animal lidera os erros mais perigosos na nutrição pet. A oferta de alimentos humanos pode causar intoxicações severas. “Se fosse ter um ranking de erros, em primeiro lugar seria dar comida de gente, como chocolate, carne no churrasco com muito tempero e pão francês, entre outros alimentos que podem ocasionar toxicidade, pancreatite e levar o pet a óbito”, adverte a especialista.Outra falha frequente é a mudança abrupta na marca ou no tipo de ração. O sistema digestivo de cães e gatos precisa de tempo para se adaptar a uma nova formulação. Para evitar quadros de diarreia, a transição deve ser feita ao longo de uma semana. Nos dois primeiros dias, o tutor deve misturar 75% da ração antiga com 25% da nova. No terceiro e quarto dias, a proporção passa a ser de 50% para cada. Do quinto ao sexto dia, inverte-se para 25% da antiga e 75% da nova, até que, no sétimo dia, o animal passe a consumir exclusivamente o alimento novo.Ainda segundo a especialista, os sinais de que a dieta escolhida não está fazendo bem ao animal manifestam-se de forma clara no corpo e no comportamento. A pelagem perde o brilho, apresenta queda acentuada e a pele pode descamar. Ocorre alteração no peso, apatia e surgimento de problemas digestivos, como vômitos e excesso de gases.As fezes perdem a consistência, tornando-se pastosas, com volume excessivo e odor mais forte que o habitual. Fisiologicamente, a observação deve ser ainda mais rigorosa com os felinos, visto que os gatos são classificados biológica e cientificamente como carnívoros estritos, dependendo essencialmente da proteína animal para o funcionamento adequado de seu organismo.Ter pets pode trazer benefícios equivalentes ao casamento, diz estudo